Portal Nosso São PauloA INCLUSÃO DIGITAL COMEÇA AQUI:
"PROJETO NOSSO SÃO PAULO DE INTERNET"
Junte-se a Nós!

faleconosco@nossosaopaulo.com.br


13/Set/2005
!!! LIBERDADE PARA PENSAR E AGIR - Nº 20/2005 !!!

** BRASÍLIA: PESADELO DOS DESPEITADOS... **

(A cidade de Brasília não merece e jamais deve ser confundida com o poder político brasileiro que aqui está situado..., os Ministérios, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto não são Brasília, são o Brasil!)

Tenho visto, nos últimos dois meses principalmente, uma tentativa de muitos despeitados em ridicularizar a imagem de Brasília, capital do Brasil. Digo despeitados, porque estes que aí estão nos jornais de TV ou na mídia impressa - cito como exemplo o Pedro Bial (no último "Altas horas", de 10/09/2005) e Nelson Motta, em jornal impresso do dia 12/09/2005 -, ou nos noticiários de crítica política, insistentemente tentando pintar uma imagem de Brasília como se na capital só existisse o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, e dizendo que estes lugares são o grande covil dos lobos, só podem ser despeitados.

Quando Juscelino Kubitschek idealizou e construiu Brasília, ele tinha em mente, e muito corretamente, que tal ato iria ser o estopim que deflagraria a industrialização do interior do país, o avanço da agricultura, o desbravamento da maior parte do território nacional que ainda era pouquíssimo explorado, justamente porque muitos, e entre eles provavelmente pessoas que pensavam como hoje pensam Pedro Bial e Nelson Motta, acreditavam que o Brasil poderia se reduzir a Rio e São Paulo e uma parte de Minas Gerais, como na época da República do Café-com-leite, esta sim podre, exploradora de mão-de-obra escrava e barata, corrupta e ditatorial, coronelista.

Além disso, JK foi o Presidente que abriu rodovias, passando a ligar o Brasil de norte a sul, em pistas que convergiam para o coração do país, Brasília, que passou a ser o eixo de ligação entre as várias regiões, estradas essas que nenhum outro governo ousou fazer igual. Juscelino abriu o Brasil para as grandes indústrias, principalmente a automotiva, investiu em lugares que eram desprezados pelos governos de até então, mostrou que o brasileiro também é capaz de fazer história e de realizar grandes feitos, como aqueles dos países de primeiro mundo. Juscelino sonhou algo que estava muito além do bairrismo dos que moravam na "cidade maravilhosa" (linda mesmo!) e do umbigo dos filhos da "terra da garoa" (de uma boemia deliciosa...).

Nada tenho contra o Rio e São Paulo, pelo contrário, são cidades e estados os quais admiro muito, seja pela beleza, seja por sua gente, seja pelo empreendedorismo e criatividade de seu povo. No entanto, constantemente me pergunto, por que as pessoas dessas cidades não sentem o mesmo por Brasília? Cidade que é uma obra de arte de ao menos cinco dos maiores homens que o Brasil já teve - Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão e Athos Bulcão - e feito do maior estadista e presidente que jamais vimos neste país: Juscelino Kubitschek !!!

Brasília, meus caros, não é a política e muito menos os políticos. Brasília guarda em seu corpo, uma pequena área destinada ao governo do Brasil: a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes. Esta pequena área não é somente Brasília, mas é o Brasil, assim como o são também Brasil o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Natal, Belém, Recife e todas as outras cidades. Os políticos, com toda justiça criticados e acusados de corruptos e ladrões, por nós povo e pela mídia, não são a "população" de Brasília. Estes políticos, com exceção dos três senadores e onze deputados e um ministro, foram ELEITOS pelas pessoas que moram no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, na Bahia e em todos os outros estados brasileiros.

Estes políticos que são usados como pano de fundo para dizer que "em Brasília impera a corrupção, a falsidade, a mentira e a amoralidade" não são "filhos de Brasília", mas filhos de todos os outros estados. Então, se há corrupção, ladroagem, mentira, falsidade e podridão em Brasília ela é TRAZIDA PARA CÁ POR TODO O POVO BRASILEIRO, que escolheu estes deputados, senadores e presidente. Os prédios do poder e todos os outros de Brasília não são corruptos ou podres, mas são belos, arrojados, corajosos, vistosos e elegantes, como deveria ser todo o Brasil. Juscelino não "construiu" políticos, ele construiu prédios e uma cidade que é admirada em todo o mundo, exceto pelo seu próprio país. Não é uma ironia? Brasília é um Patrimônio Cultural de uma Humanidade que a olha com olhos de contemplação, no entanto, muitos brasileiros a odeiam, por quê?

Mas, Brasília também não é só prédios, é também um povo que mora em seu corpo e que forma a sua população, sejam ricos, médios ou pobres, dos bairros ricos ou dos bairros pobres, como em qualquer outra cidade do Brasil. O povo de Brasília é trabalhador como todos os outros brasileiros, nutrem sonhos de um país mais justo, como todos os outros brasileiros, gosta de carnaval, de samba, de feijoada, de feijão tropeiro, arroz carreteiro, churrasco, futebol, shopping center, cinema, teatro, literatura e música como todos os outros brasileiros. O povo de Brasília também tem orgulho de sua cidade, assim como os cariocas e os paulistas. A diferença é que quem mora em Brasília não tem o despeito de falar mal das outras cidades, pelo contrário as admira, as visita, as querem bem, enquanto muitos moradores das outras cidades xingam Brasília e a humilham e a desprezam. Por quê? Será despeito? Será inveja? Mas, despeito por quê? Mas, inveja de quê? Ou ciúmes pelo Rio de Janeiro ter perdido o status de capital do Brasil? Não consigo entender, apesar refletir muito sobre isso.

Juscelino foi o homem e o Presidente que iniciou um governo com um plano claro e definido de administração. Ao final de seu mandato ele tinha cumprido praticamente todas as metas que havia estabelecido e ainda havia aberto o Brasil para o mundo moderno e para a modernidade. Juscelino foi o homem que sonhou um Brasil grandioso, não apenas pelas suas palmeiras e pelos seus sabiás, mas pela sua indústria, pela sua urbanização, pela sua engenharia, pela sua cultura, pela sua qualidade de vida e pela obstinação de seu povo. Juscelino sim fez 50 anos em 5. Nenhum outro fez isso e dificilmente fará. Talvez este seja um grande motivo para inveja.

Muitos disseram, dizem e dirão que Juscelino aumentou a dívida externa, aumentou a inflação, mas essas afirmações não denigrem sua figura e seu governo, ao contrário. O Brasil antes de Juscelino era praia e sol, garoa, café e aço bruto. Depois de Juscelino passamos a ter um País, finalmente. Que país promove um crescimento urbano, empresarial, industrial e econômico em tão pouco tempo sem fazer dívidas? Quem consegue abrir um pequeno comércio ou um médio empreendimento empresarial sem contrair dívidas? Os Estados Unidos e o Japão são as maiores potências industriais do mundo, dominam o mercado internacional de eletrônica - um dos mais lucrativos do mundo -, e mantêm altas dívidas externas. Todavia, eles seriam essas potências se não tivessem adquirido tais dívidas? Nelson Motta já "voltou americanizado", já saiu do país há tempos e orgulha-se de morar em Manhattan, em uma das cidades que tem o mais alto custo de vida do mundo, em um país dono da maior dívida externa do mundo, e que só é uma superpotência porque lá houve pessoas como Juscelino, que olharam para frente e que deram um passo ginástico rumo à qualidade de vida. E esse mesmo Nelson Motta vem a público, por meio de um jornal impresso, dizer que "Brasília foi um erro de JK" e que Juscelino foi o Presidente que aumentou a dívida externa? É preciso olhar para o próprio umbigo, primeiro.

Criticar alguém como Juscelino, criticar uma cidade planejada e construída com obstinação e sucesso como Brasília é fácil, porque pouquíssimos, talvez, hoje, ninguém, conseguiria repetir o que fez Juscelino Kubitschek de Oliveira. Grandes homens e seus grandes feitos não passam indiferentes, ou eles são amados ou eles são odiados.

Enfim, a mim, parece que o Brasil ainda sofre da "amnésia" pós-eleição, visto que as pessoas esquecem que Lula, José Dirceu, Delúbio Soares, José Genuíno, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Marta Suplicy, Paulo Maluf, Celso Pita e Nicolau dos Santos Neto são todos filhos de São Paulo e crias políticas deste mesmo estado e não de Brasília. Esquecem que Marcos Valério e Eduardo Azeredo são filhos de Minas e crias políticas deste mesmo estado e não de Brasília. Esquecem que Roberto Jefferson é filho e cria política do Rio de Janeiro (eleito inúmeras vezes nós últimos 30 anos), assim como Garotinho. Esquecem que Severino é nordestino. Nenhum desses é brasiliense e nenhum jamais representou Brasília e seu povo, ao contrário do que já fizeram artistas do quilate de Oswaldo Montenegro e Renato Russo, ou pessoas de bem como os professores - como eu -, médicos, funcionários públicos, comerciantes, trabalhadores de classe média e de classe baixa que vivem, moram, que nasceram ou não em Brasília, mas que admiram, amam e defendem a honra de sua cidade, que não é e nunca foi formada de políticos, mas de gente de bem, gente que merece, que deseja e exige o respeito que jornalistas, críticos de política e toda a mídia deve ter por este povo e por esta cidade, tão brasileira como qualquer outra. A cidade de Brasília não merece e jamais deve ser confundida com o poder político brasileiro que aqui está situado. Como disse antes, os Ministérios, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto não são Brasília, são o Brasil!

( Alessandro Eloy Braga -Biografia - 1973/*** )
Professor de Brasília - fale com o autor

ALESSANDRO ELOY BRAGA, 31 anos, mora em Brasília-DF, onde é Professor de Literatura na Faculdade Jesus Maria José (FAJESU) e Coordenador Central de Códigos e Linguagens na Secretaria de Estado de Educação. É Graduado em Letras e Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília. Já publicou o livro de poemas Madrigais Cantantes (2001), ensaios e resenhas em revistas acadêmicas do DF.