" MENSAGEM DO DIA "
MENSAGENS e POESIAS

JUNHO de 2004


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01/Junho/2004:

“ DESPERDÍCIO ”

“ Cada arma de fogo que é fabricada,
cada navio de guerra que é lançado ao mar,
cada foguete que é disparado,
significa, em última análise,
um roubo aos que têm fome e não têm o que comer,
aos que têm frio e não têm agasalhos...

Este mundo em armas não está gastando dinheiro sozinho;
está desperdiçando os esforços dos seus trabalhadores,
o talento dos seus cientistas e destruindo a esperança de seus filhos. ”

( Os Sete Caminhos da PAZ - "Ways of Peace" )

02/Junho/2004:

“ PROBLEMA ”

“ Se você traz consigo algum problema,
peça a DEUS coragem para suportá-lo,
evitando queixas e lutas que fariam de você
um problema difícil para os outros e,
trabalhando e servindo em silêncio,
com paciência e bondade,
você observará que DEUS transformará os outros
em canais de socorro espontâneo a seu favor,
pelos quais, sem alarme e sem perda de seu tempo,
encontrará você a necessária e a melhor solução. ”

( Chico Xavier/André Luiz - "Biografia" - 1910/2002 )

03/Junho/2004:

“ CONTAGEM REGRESSIVA ”

“ Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei.

Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa.

No entanto, flanco aberto, não esqueço
e amo em ti os outros rostos. ”

( Ana Cristina Cruz César - "Poetisa Brasileira" - 1952/1983 )

04/Junho/2004:

“ EXAMINANDO A RIQUEZA ”

“ Só o trabalho é fonte de riqueza imperecível e
somente a educação é luz a nortear-lhe os
movimentos para mais altos destinos.

Aprendamos a servir, aperfeiçoando-nos,
e traremos conosco,
no coração e no cérebro,
a paz e o amor que representam, em nossas almas,
o incorruptível patrimônio de DEUS. ”

( Chico Xavier / Emmanuel - "Biografia" - 1910/2002 )

07/Junho/2004:

“ ESCOLHA O BEM ”

“ Todo o BEM que fizerdes
será luz nos caminhos a percorrer.
Escolha os pensamentos do BEM,
para orientar-lhe o caminho,
e ele transformará sua vida
numa cachoeira de bênçãos! ”

( Luiza Rimoldi Franco - "Anotações" - 1937/2001 )

08/Junho/2004:

“ RESPOSTA DE DEUS QUANDO ORAMOS O PAI NOSSO ”

“ Filho meu que estás na Terra,
preocupado, confundido, desorientado,
solitário, triste, angustiado...

Eu conheço perfeitamente teu nome,
e o pronuncio abençoando-te porque te amo.

Não!... Não está sozinho,
porque eu habito em ti;
juntos construiremos este Reino,
do qual serás meu herdeiro.

Desejo que sempre faças minha vontade,
porque minha vontade é que sejas feliz.

Deves saber que contas sempre comigo
porque nunca te abandonarei
e que terás o pão para hoje.
Não te preocupes.
Só te peço que sempre o compartilhes
com teu próximo... com teus irmãos.

Deves saber que sempre perdôo
todas tuas ofensas, antes, inclusive,
de que as cometas, ainda sabendo que as farás,
por isso te peço que faças o mesmo
com os que te ofendem.

Desejo que nunca caias em tentação,
por isso, segure bem forte a minha mão
e sempre confie em mim,
e eu te libertarei do mal.

Recorde e nunca te esqueças que:
TE AMO, desde o início de teus dias,
e te amarei até o fim dos mesmos...

EU TE AMAREI SEMPRE PORQUE SOU TEU PAI!
Que Minha Bênção fique contigo e que meu
Eterno Amor e Paz te cubram sempre
porque no mundo não poderá obtê-las
como Eu somente as dou porque...
EU SOU O AMOR E A PAZ!”

( Leonardo Sussuarana - ????/**** )

09/Junho/2004:

“ ORAÇÃO DA MANHÃ ”

“ Bom Dia, Pai!
Vamos tomar juntos o café da manhã?
Temos pendentes tantos assuntos!
(O pão está fresquinho, o café bem quente).
Ainda que só um minutinho,
Nós precisamos conversar:

O Mundo desabou de tal jeito,
Que nada mais parece ter efeito.
Não há teoria ou ciência.
Que o possa regenerar.
Cada qual briga pelo seu bocado
sem nenhuma decência.
Sem qualquer restrição.

Perdeu-se nas cinzas o espírito cristão.
Por isso a minha idéia,
(por favor, passe a geléia),
de recorrer a uma ajuda;
sem você, a situação não muda.
A ambição vem demolindo a Terra;
A sociedade, cada vez mais dissoluta.

E fique atento,
Pois andam procurando uma fé substituta.
Os governantes estão cegos;
Que tal devolver-lhes a visão?
Carregam pregos nas mãos,
Crucificam o povo.
Não quero que você morra de novo!
Meu Jesus multiplique o pão.

Perdoe esse bate-papo,
(a sua frente tem um guardanapo)
é que estou tão aflita!
Que bom receber sua visita logo de manhã.
Devo lhe contar um segredo:
Quero sair de casa, mas tenho medo,
Preciso segurar sua mão.
Falta mencionar uma graça:

O girassol que nasce na calçada,
O rouxinol da madrugada,
O pedaço de lua que vaza na vidraça,
O azul - orvalho que cai.
Daqui pra frente, eu sigo meu caminho
e lhe entrego todo meu afeto.
Você é mesmo meu amigo predileto!
Bom Dia, Pai !”

( Flora Figueiredo - Poetisa Paulista - 1951/**** )

11/Junho/2004:

“ POEMA Nº 20 ”
- Pablo Neruda -

“ Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: 'La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos'.
El viento de la noche gira en el cielo y canta.

(Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: 'A noite está estrelada,
e tremulam, azuis, os astros, ao longe.'
O vento da noite gira no céu e canta.)

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces, ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería
Como no haber amado sus grandes ojos fijos.

(Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes, ela também me quis.
Em noites como esta eu a tive entre meus braços.
A beijei tantas vezes sob o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não haver amado seus grandes olhos fixos).

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haverla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

(Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se conforma por tê-la perdido.
Como para aproximar-se, meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. sus ojos infinitos.

(A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz buscava o vento para tocar seu ouvido.
De outro. Serás de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos).

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque ésta sea el último dolor que ella me causa,
y éstos los últimos versos que yo le escribo.

(Já não a quero, é certo, mas talvez a queira.
É tão curso o amor, e é tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta, eu a tive entre meus braços,
minha alma não se conforma em havê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes os últimos versos que eu lhe escreva).

( Pablo Neruda - Neftalí Ricardo Reyes Basoalto - 1904/1973 )

14/Junho/2004:

“ O IDEAL DE CADA UM ”

“ Cada qual de nós, seja de onde for, está sempre construindo a vida que deseja.
Existência é a soma de tudo o que fizemos de nós até hoje.
Toda melhoria que realizarmos em nós, é melhoria na estrada que somos chamados a percorrer.
Toda a idéia que você venha a aceitar influenciará seu espírito; escolha os pensamentos do bem para orientar-lhe o caminho e o bem transformará sua vida numa cachoeira de bênçãos.

Se você cometeu algum erro não se detenha para lamentar-se; raciocine sobre o assunto e retifique a falha havida porque somente assim, a existência lhe converterá o erro em lição.
Muito difícil viver bem se não aprendermos a conviver.
A vida por fora de nós é a imagem daquilo que somos por dentro.
Viver é a lei da natureza, mas a vida pessoal é a obra de cada um.
Toda vez que criticamos a experiência dos outros, estamos apontando em nós mesmos os pontos fracos que precisamos emendar em nossas próprias existências.
Seu ideal é o seu caminho, tanto quanto seu trabalho é você.”

( Chico Xavier/André Luiz - "Biografia" - 1910/2002 )

15/Junho/2004:

“ OS ESTATUTOS DO HOMEM - Parte 1 ”
- Ato Institucional Permanente -

“Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino (...)”

( Thiago de Mello - "Jornal de Poesia" - 1926/**** )

16/Junho/2004:

“ OS ESTATUTOS DO HOMEM - Parte 2 ”
- Ato Institucional Permanente -

“(...) Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco. (...)”

( Thiago de Mello - "Jornal de Poesia" - 1926/**** )

17/Junho/2004:

“ OS ESTATUTOS DO HOMEM - Parte Final ”
- Ato Institucional Permanente - (veja Parte 1)

“(...) Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que AMA
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo FINAL
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante,
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, Abril de 1964 ”

( Thiago de Mello - "Jornal de Poesia" - 1926/**** )

18/Junho/2004:

“ O ANIMAL DA FLORESTA ”

“ De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz ao amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira. ”

( Thiago de Mello - "Jornal de Poesia" - 1926/**** )

21/Junho/2004:

“ O CORVO ”
- Tradução de 'The Raven' - Edgar Allan Poe -

“ Em certo dia, à hora
Da meia-noite me apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
'É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais'.

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e 'Com efeito,
(Disse), é visita amiga e retardada
'Que bate a estas horas tais.
'É visita que pede à minha porta entrada:
'Há de ser isso e nada mais'.

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: 'Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
'Mas como eu, precisando de descanso
'Já cochilava, e tão de manso e manso,
'Batestes, não fui logo, prestemente,
'Certificar-me que aí estais'.
Disse; a porta escancarar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
'Seguramente, há na janela
'Alguma coisa que sussurra. Abramos,
'Eia, fora o temor, eia, vejamos
'A explicação do caso misterioso
'Dessas duas pancadas tais,
'Devolvamos a paz ao coração medroso,
'Obra do vento, e nada mais'.

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: 'Ó tu que das noturnas plagas
'Vens, embora a cabeça nua tragas,
'Sem topete, não és ave medrosa,
'Dize os teus nomes senhoriais;
'Como te chamas tu na grande noite umbrosa?'
E o corvo disse: 'Nunca mais'.

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: 'Nunca mais'.

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: 'Perdi outrora
'Tantos amigos tão leais!
'Perderei também este em regressando a aurora'.
E o corvo disse: 'Nunca mais!'

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
'Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
'Que ele trouxe da convivência
'De algum mestre infeliz e acabrunhado
'Que o implacável destino há castigado
'Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
'Que dos seus cantos usuais
'Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
'Esse estribilho: 'Nunca mais'.

Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: 'Nunca mais'.

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam.
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: 'Um Deus sensível
'Manda repouso à dor que te devora
'Destas saudades imortais:
'Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora'.
E o corvo disse: 'Nunca mais'.

'Profeta, ou o que quer que sejas!
'Ave ou demônio que negrejas!
'Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
'Onde reside o mal eterno,
'Ou simplesmente náufrago escapado
'Venhas do temporal que te há lançado
'Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
'Tem os seus lares triunfais,
'Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?'
E o corvo disse: 'Nunca mais'.

'Ave ou demônio que negrejas!
'Profeta, ou o que quer que sejas!
'Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
'Regressando ao temporal, regressa
'À tua noite, deixa-me comigo...
'Vai-te, não fique no meu casto abrigo
'Pluma que lembre essa mentira tua.
'Tira-me ao peito essas fatais
'Garras que abrindo vão a minha dor já crua'
E o corvo disse: 'Nunca mais'.

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Dom lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais! ”

( Machado de Assis - "Biografia" - 1839/1908 )

22/Junho/2004:

“ A ESCOLHA DO BEM ”

“ Todo o bem que fizer
Será luz nos caminhos a percorrer.
Escolha os pensamentos do bem
Para orientar-lhe o caminho
E ele transformará sua vida
Numa cachoeira de bênçãos ! ”

( Luiza Rimoldi Franco - "Anotações" - 1937/2001 )

23/Junho/2004:

“ PLEBISCITO ”

“ E não é o plebiscito um instrumento válido de governo democrático?
- Unicamente quando os integrantes da sociedade se encontram em equilíbrio emotivo para apreciar judiciosamente a questão que lhes é proposta, meditando sobre ela com lucidez e prudência.

Não podemos esquecer o exemplo daquele governante romano em cidade estrangeira, que realizou um plebiscito supostamente democrático, para sentenciar o destino de um operário de trinta e poucos anos...
e com isso, o entregou à pena de morte infamante, na cruz !!! ”

( Reformador - FEB - Junho/1993 )

24/Junho/2004:

“ ESTENDA SUA MÃO ”

“ Estenda sua mão à criança, para que ela
possa sentir-se segura no soerguimento de seus ideais,
e junto dela se erguerá toda a humanidade a caminho da paz.

Estenda sua mão ao faminto da calçada,
ofertando-lhe um pouco de alimento,
e com ele permanecerá a esperança de um futuro melhor.

Estenda sua mão à mãe desesperada ante às dificuldades materiais,
e com ela continuará a vontade de superar tudo
em nome da sustentação de seus filhos.

Estenda sua mão aos pais que viram o filho partir para o Mundo Espiritual,
viajando pelo comboio da desencarnação,
e eles se tornarão mais fortalecidos para superar a saudade.

Estenda sua mão ao ancião sem família,
procurando envolvê-lo com calor humano e ternura,
e ele saberá terminar sua jornada na Terra entre o consolo e a fé.

Estenda sua mão ao doente que se refugia num leito,
e ele, mais encorajado,
terá melhores recursos para sair em busca de saúde.

Estenda sua mão à criatura que, descuidadamente,
se embrenhou pelos caminhos nocivos e tóxicos e ela,
com o seu amparo, sairá do abismo em que mergulhou.

Estenda sua mão a todos, derramando a essência do seu amor onde estiver,
objetivando sempre difundir o bem aos irmãos do caminho,
aos companheiros de jornada, e DEUS, na sua infinita bondade,
estenderá sua mão firme e carinhosa a você,
no socorro de suas dificuldades,
ofertando-lhe a felicidade e a paz que tanto procura. ”

( Waldenir A. Cuin - Mensagens de Esperança e Paz - EME )

25/Junho/2004:

“ COUSTEAU WORLD - MISSÃO ”
Educar - Amar - Proteger

“ Educar as pessoas para que possam compreender, amar e proteger
os sistemas de água de nosso planeta, os mares e a água fresca,
para o bem estar das futuras gerações.

O amor ao ambiente envolve diagnosticar as suas necessidades e tendências,
as quais têm um preço, para manterem sua independência.

Proteger através do Programa Cousteau para o desenvolvimento integrado
das regiões litorâneas, com petições para a Corte Internacional do Ambiente,
encorajando potenciais antagonistas a requererem a mediação de seus conflitos
à Corte de Arbitração de HAIA, de modo que o
Direito das Futuras Gerações possa ser preservado. ”

( Jacques Cousteau - Cousteau World - 1910 / 1997 )

28/Junho/2004:

“ O PENSAMENTO HUMANO ”

“ Que te deve importar a opinião dos outros,
quando ela é destituída de base séria
que lhe mantenha o peso ?

Que te importa o que os outros pensam ?
Cada um pensa como quer, como sabe,
como lhe deixam ou como lhe convém.

Nunca tive a pretensão de estabelecer
regras ao pensamento humano,
que é a coisa mais livre do Universo. ”

( Eça de Queirós - José Maria Eça de Queirós - 1845 / 1900 )

29/Junho/2004:

“ A CONSCIÊNCIA SEGUNDO ROSSEAU ”
- Profissão de Fé do Vigário Saboiano -

“ Não tiro dessas regras, os princípios de uma alta filosofia, mas as encontro,
no fundo do meu coração, escritas pela natureza em caracteres indeléveis.

Basta-me consultar-me sobre o que quero fazer;
tudo o que sinto ser bem é bem e tudo o que sinto ser mal é mal:
o melhor de todos os casuístas é a consciência;
e só quando se comercia com ela é que se recorre às sutilezas do raciocínio.

O primeiro de todos os cuidados é o consigo mesmo:
todavia, quantas vezes a voz interior nos diz que,
ao fazer nosso bem a expensas de outrem, fazemos o mal !

Acreditamos seguir o impulso da natureza e lhe resistimos,
escutando o que ela diz dos nossos sentidos,
desprezamos o que diz aos nossos corações;
o ser ativo obedece e o ser passivo ordena.

A consciência é a voz da alma, as paixões são a voz do corpo.
É espantoso que muitas vezes essas duas linguagens se contradigam?
A qual delas se deve ouvir ?

A razão freqüentemente nos engana, não temos senão o direito de recusá-la;
mas a consciência nunca engana; é o verdadeiro guia do homem:
ela está para a alma assim como o instinto está para o corpo;
quem a segue, obedece a natureza e não teme se perder. (...)”

( Jean Jacques Rosseau - Biografia e Textos - 1712 / 1778 )

30/Junho/2004:

“ INTOLERÁVEIS PEDANTES ”

“ As nossas máquinas, os nossos telefones, a nossa luz elétrica,
têm-nos tornado intoleravelmente pedantes,
estando prontos a declarar desprezíveis,
pessoas ou mesmo toda uma raça,
desde que elas não saibam lidar com nossas modernidades. ”

( Eça de Queirós - José Maria Eça de Queirós - 1845 / 1900 )

 

 

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