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AGOSTO de 2005 |
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01/Agosto/2005:
ESPERANÇA Lá
bem no alto do décimo segundo andar do Ano ( Mário Quintana - 'Biografia' - 1906/1994 ) 02/Agosto/2005:
SOB O SIGNO DA INQUIETAÇÃO
O susto em nós foi avançar ( Bruna Lombardi - 'Biografia' - 1952/**** ) 03/Agosto/2005:
EM SONHOS...
Nos Santos óleos do luar, floria As
Águias imortais da Fantasia Do
espaço pelos límpidos velinos Nos
santos óleos do luar envolto ( Cruz e Sousa - 'Biografia' - 1862/1898 ) 04/Agosto/2005:
MEDIDA DRÁSTICA (...) Dessa forma, aquela boa mãe dava por encerrada a conversa com o filho. Havia conseguido o que esperava, e a ela, agora, competia apenas as novas providências para o seu reingresso num corpo físico. A preparação de uma encarnação, que parece ser simples, tem meandros, às vezes, difíceis de serem percorridos, para que dela se aproveite o máximo das suas possibilidades, o máximo que pode oferecer, a fim de que seja benéfica a quem tiver esse ensejo. Na Terra, não vivemos só. Formamos uma corrente extensa de elos entrelaçados, e como todos temos que estar bem ajustados, para que nada entrave nossos objetivos e aproveitemos a existência, não apenas para uma finalidade, mas para tantas quantas tivermos condições de abarcar. Tudo o que no orbe terrestre realizamos, decorre em favor ou desfavor de nós mesmos. Aqueles que já têm o pleno conhecimento dessa verdade, esforçam-se e desejam retirar da oportunidade reencarnatória, tudo o que ela pode oferecer em benefícios para o seu Espírito, e para isso se esforçam. A finalidade maior da próxima existência terrena daquele mãe, já estava decidida e estabelecida, e a tarefa seria grande. No entanto, já que na Terra estaria, porque não unir outras necessidades para a redenção e maior elevação do seu próprio Espírito ? (...) ( Eça de Queirós / Wanda Canutti - 'Biografia' - 1932/2004 ) 05/Agosto/2005:
TEUS LINDOS OLHOS
Teus lindos olhos, És
valioso momento
Jovem é a eternidade ( Wanderlino Arruda - 'Biografia' - 1934/**** ) 08/Agosto/2005:
UNIMULTIPLICIDADE Neste
Brasil corrupção, Neste
país de manda-chuvas, Eu
pego
meu violão de guerra, Não
tenho nada na cabeça, Brasília
tem suas estradas, ( Tom Zé -
'Biografia'
- 1936/**** ) 09/Agosto/2005:
O AMOR EM TEMPO DE AIDS (...) E foi aí que você, Maria, mais do que nunca, revelou-se e mostrou do que é capaz. Capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando com tudo e principalmente com um grande carinho e cuidado. A AIDS selou um amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo, apesar de tudo, o beijo, o carinho, a sensualidade quando se tem cabeça pra tentar o que parece impossível. Assumi publicamente minha condição de soropositivo. Você acompanhou mesmo sabendo que a discriminação poderia vir a nos atingir, inclusive ao Henrique. Nunca pôs um senão, um comentário sobre cuidados necessários. Acompanhou, deu a mão, seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi. Criei a ABIA e passei a trabalhar contra a epidemia, como não podia, através da prevenção. Falei por toda parte e em todo lugar. Passei dois anos totalmente dedicados a essa guerra. Foi assim desde os tempos de cólera, da não esperança, passando pela morte de Henfil e Chico que seria pela lógica, seguida da minha, passando pelas crises que beiravam a morte, até o coquetel que reabriu as esperanças. Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver. Um novo aprendizado da vida com a morte, a convivência com a morte em vida, um novo sentido para a vida de cada dia, o valor de cada minuto e hora. E em meio a tudo ainda encontrar ânimo para rir, para se indignar com a política desse pobre e rico país, para passar os fins de semana em Itatiaia, plantar café com assistência técnica do Baltazar e do meu amigo Humberto, do Globo Rural. Tudo certo, tudo científico, esperando colher nos próximos anos como se estivéssemos vivos para fazer a colheita. Ter a esperança de chegar no ano 2000 para ver a passagem do século, ou 2004 para ver os Jogos Olímpicos ajudando o Rio a acabar com a miséria absoluta. Mexer na casa como se fôssemos viver nela para sempre, pensar na vida como definitiva até que acabe. Mas em tudo isso quanta presença junto a mim, quanta paz ao meu lado, quanta companhia feliz por estar junto. Pensando bem e vendo o que se passa ao nosso redor, é difícil acreditar que tudo isso esteja acontecendo de verdade; parece fantasia feliz, mas sei que é real, sinto o gosto na boca, a sensação no corpo e na alma. Maria é o meu coquetel, sem ela estaria lá no São João Batista sofrendo o frio e a eternidade. Ela passa por cima da AIDS e a transforma numa doença banal, como todas as outras, que mata do seu modo e às vezes até mais rápido. Ela é um coquetel sem efeitos colaterais. Um dos maiores problemas da AIDS é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes, e seguros, ou contêm riscos que não se deve correr com a pessoa que se ama? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma e duas camisinhas, até sem nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo de risco. Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher. Vivemos a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz. Descobri que é possível e que se pode esperar o dia da cura para se voltar àquelas noites. Tomara que a cura venha a tempo. Viver é muito mais do que fazer sexo, temos milhares de órgãos sexuais espalhados por toda parte e não só onde quase todo o mundo pensa que está localizado. Mas para se viver isso é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz de viver essa metamorfose, como foi. (...) ( Herbert de Souza / Betinho - 'Biografia' - 1935/1997 ) 10/Agosto/2005:
MINHA TERRA Quanto
é grato em terra estranha Ouvir
a pátria linguagem E
em tristes serões d'inverno, Certo
é grato; mais sentido Depois
de girar no mundo E
vendo os vales e os montes Meu
este sol que me aclara, Mais
os amo quando volte, ( Gonçalves Dias - 'Biografia' - 1823/1864 ) 11/Agosto/2005:
NA MARGEM
'Vamos! Vamos! Aqui por entre os juncos Esses
ninhos, que tombam sobre o rio, ( Castro Alves - 'Biografia' - 1847/1871 ) 12/Agosto/2005:
DEPOIS DE UM TEMPO, VOCÊ APRENDE... Depois de um tempo, você aprende a diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. Aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de uma mulher e não com a aflição de uma criança. Aprende a construir todas as suas estradas 'hoje', porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo, você aprende que o Sol queima caso fique exposto por muito tempo. (1) Aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... Aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Também aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas num instante das quais poderá se arrepender pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o QUE você tem na vida, mas QUEM você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende
que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos
mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer
coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Aprende que as circunstâncias e o ambiente acabam influindo sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não nos devemos comparar com os outros, mas com o melhor que podemos ser. Descobre
que leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que
o tempo é curto. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita pratica. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com as experiência vivenciadas e com o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que 'o seu sonho' é uma bobagem, e que seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer, não significa que não o ame, pois existem pessoas que nos amam, mas que, simplesmente, não sabem como demonstrar ou viver este sentimento. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que, com a mesma severidade com que você julga, um dia você será condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. (1) Por isso, aprenda a plantar seu jardim e decorar sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe presenteie flores. Aprenda que você pode a tudo suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe, mesmo depois de achar que não o consegue mais. E você aprende, e você aprende, com todos os adeuses, você aprende... (2) Que, realmente, a vida tem valor e você tem valor diante da vida. Que nossas dádivas são traiçoeiras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar. ERRATA
(para outros): este poema vem sendo distribuído por e-mail
e publicado na internet brasileira, com a autoria, de forma equivocada,
atribuída a William Shakespeare. Devido a isso, fazemos questão
de publicar uma de suas versões, para honrar sua verdadeira autora.
A versão
original, publicada em 1971, é muito menor que este texto:
do primeiro (1) pule para o segundo (1) e termine em (2). ( Veronica A. Shoffstall - 'After a while' - 1952/**** ) 15/Agosto/2005:
TUAS MÃOS DE PAI Tantas
mãos fortes já seguraram as minhas, Hoje,
contemplo na memória as vezes que seguraste ( Irmã Zuleides Andrade - 'Biografia' - 1950/**** ) 16/Agosto/2005:
OS SERTÕES (...)
De repente, uma variante trágica. Aproxima-se
a seca. Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra. Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estóico. Apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta a todo o transe esperanças de uma resistência impossível. Com os escassos recursos das próprias observações e das dos seus maiores, em que ensinamentos práticos se misturam a extravagantes crendices, tem procurado estudar o mal, para o conhecer, suportar e suplantar. Aparelha-se com singular serenidade para a luta. Dois ou três meses antes do solstício de verão, especa e fortalece os muros dos açudes, ou limpa as cacimbas. Faz os roçados e arregoa as estreitas faixas de solo arável à orla dos ribeirões. Está preparado para as plantações ligeiras à vinda das primeiras chuvas. Procura em seguida desvendar o futuro. Volve o olhar para as alturas; atenta longamente nos quadrantes; e perquire os traços mais fugitivos das paisagens... Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos de uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. Passam as "chuvas do caju" em outubro, rápidas, em chuvisqueiros prestes delidos nos ares ardentes, sem deixarem traços; e pintam as caatingas, aqui, ali, por toda a parte, mosqueadas de tufos pardos de árvores marcescentes, cada vez mais numerosos e maiores, lembrando cinzeiros de uma combustão abafada, sem chamas; e greta-se o chão; e abaixa-se vagarosamente o nível das cacimbas... Do mesmo passo nota que os dias, estuando logo ao alvorecer, transcorrem abrasantes, à medida que as noites se vão tornando cada vez mais frias. A atmosfera absorve-lhe, com avidez de esponja, o suor na fronte, enquanto a armadura de couro, sem mais a flexibilidade primitiva, se lhe endurece aos ombros, esturrada, rígida, feito uma couraça de bronze. E ao descer das tardes, dia a dia menores e sem crepúsculos, considera, entristecido, nos ares, em bandos, as primeiras aves emigrantes, transvoando a outros climas... É o prelúdio da sua desgraça. (...) ( Euclides da Cunha - Biografia - 1866/1909 ) 17/Agosto/2005:
PSICOLOGIA DE UM VENCIDO
Eu, filho do carbono e do amoníaco, Profundissimamente
hipocondríaco, Já
o verme - este operário das ruínas - Anda
a espreitar meus olhos para roê-los, ( Augusto dos Anjos - 'Biografia' - 1884/1914 ) 18/Agosto/2005:
IDEAL
Não és tu quem eu amo, não és! Quem
eu amo te digo, está longe; Tem
a cútis mais fina e brilhante Tem
uns pés... oh! que pés, Santo Deus! Não
és tu quem eu amo, nem Laura, ( Fagundes Varela - 'Biografia' - 1841/1875 ) 19/Agosto/2005:
A ESCOLA DA MESTRA SILVINA
Minha escola primária... A
gente chegava " Bença, Mestra." Vinham
depois: Num
prego de forja, saliente na parede, Velhos
colegas daquele tempo, E
faço a chamada de saudade E
a Mestra?... ( Cora Coralina - 'Biografia' - 1889/1985 ) 22/Agosto/2005:
POEMA PATÉTICO
Que
barulho é esse na escada ? Que
barulho é esse na escada ? Que
barulho é esse na escada ? Que
barulho é esse na escada ? ( Carlos Drummond de Andrade - 'Biografia' - 1902/1987 ) 23/Agosto/2005:
A BRUSCA POESIA DA MULHER AMADA Minha
mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado Eis
que se anuncia de modo sumamente grave Mas
nada a detém; ela avança, rigorosa ( Vinicius de Moraes - 'Biografia' - 1913/1980 ) 24/Agosto/2005:
A COR DO SOM - MUDANÇA DE ESTAÇÃO
Gente bonita ta me vindo ( Paulo Leminski - 'Biografia' - 1944/1989 ) 25/Agosto/2005:
LUBRICIDADE
Quisera ser a serpe venenosa Quisera
ser a serpe veludosa Talvez
que o sangue impuro e flamejante Estranhamente
se purificasse... ( Cruz e Sousa - 'Biografia' - 1862/1898 ) 26/Agosto/2005:
TODAS AS VIDAS
Vive dentro de mim Vive
dentro de mim Vive
dentro de mim Vive
dentro de mim Vive
dentro de mim Vive
dentro de mim Todas
as vidas dentro de mim: ( Cora Coralina - 'Biografia' - 1889/1985 ) 29/Agosto/2005:
PENSAMENTOS
Todos os dias deveríamos ler um Pensar
é mais interessante ( Johann Wolfang von Goethe - 'Biografia' - 1749/1832 ) 30/Agosto/2005:
GLÓRIA AOS SERVOS FIÉIS
Ó Senhor ! Onde
haja sombras de dor, Senhor
! são eles Unge-lhes
o coração com a harmonia celeste Enche-lhes
as mãos de dádivas benditas Ó
Senhor, ( Chico Xavier / André Luiz - 'Biografia' - 1910/2002 ) 31/Agosto/2005:
A UMA PASSANTE
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia. Pernas
de estátua, era fidalga, ágil e fina. Brilho...
e a noite depois! - Fugitiva beldade Longe
daquí! tarde demais! nunca talvez! ( Charles Pierre Baudelaire - 'Biografia' - 1821/1867 )
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