" MENSAGEM DO DIA "
MENSAGENS e POESIAS

FEVEREIRO de 2005


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02/Fevereiro/2005:

“ NADA TEMAS ”

“ Irmão de jornada.
Abençoa a prova redentora que te eleva e equilibra.
Quando a subida se fizer mais difícil, faze uma pausa, adentra no santuário silencioso da prece, e sentirás a presença amiga daqueles que te amam e te guiam.

Esvazia a mente de todo pensamento sombrio.
Recebe cada amanhecer como promessa de novas vitórias.
Prepara-te para o repouso noturno como quem segue novos aprendizados, na companhia dos benfeitores espirituais.

Nada temas.
Segue e confia, abrigando-te sempre no recanto pacífico da tua consciência, onde te sentirás seguro e feliz, porque ali habita o Pai. ”

( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' )

03/Fevereiro/2005:

“ O TEMPO ”

“ O tempo é bênção divina que merece respeito.
Cada hora que passa é qual trato de terra pronto a responder, conforme o tipo de semeadura.

Bem usado, converte-se em manancial de bênçãos, favorecendo o progresso.
Desprezado, termina tomado pelas ervas daninhas dos vícios, que conduzem à estagnação.

Aprende a confiar em Deus e no tempo.
Mesmo ante as situações aflitivas, não te apartes do bem, semeando o amor conforme tuas forças.
Se fizeres o melhor ao teu alcance, o tempo se transformará em emissário divino, trazendo-te a paz imorredoura nos domínios da consciência. ”

( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' )

04/Fevereiro/2005:

“ A MÁSCARA ”

“ Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que masc’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida. ”

( Augusto dos Anjos - 'Biografia' - 1884/1914 )

09/Fevereiro/2005:

“ MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS ”

“ Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações saudades e cinzas foi o que restou.

Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê
Que nem sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade.

A tristeza que a gente tem, qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar que a gente nem sabe
Quem me dera viver prá ver e brincar outros carnavais.

Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz. ”

( Vinícius de Moraes - 'Biografia' - 1913/1980 )
( Carlos Lyra -
'Biografia' - 1939/**** )

10/Fevereiro/2005:

“ OFÍCIO DE PINTOR ”

“ A cor do céu é que escolho primeiro.
E não precisa ser azul,
pode ser branca, amarela,
rosa-vermelho, com jeito de verde-musgo,
em sonhos de esmeraldas.
Céu também pode ser cinza,
que é cor de ingratidão.

Vistas de perto,
vistas de longe,
ondula tom sobre tom
em tardes de vento sul.
As cores são movimentos
nas sombras suaves da luz.
O que fica debaixo do céu
do sentimento da hora,
da minha disposição.
Pode ser mar, pode ser rio,
com barco ou sem barco,
ou vereda de florestazinha.

O que não pode
é o faltar montanhas,
não dar vista à distância,
não dar aos olhos lonjura
como Minas fica do mar.
O relevo é feito de pedras,
estradas, perspectivas,
claro-escuro, composição.

O que dá alegria aos pincéis do pintar,
mais do que as cores,
mais do que o ritmo
é a sensação de criar.
Pintar belezas da vida:
ofício de pintor é pintar. ”

( Wanderlino Arruda - 'Biografia' - 1934/**** )

11/Fevereiro/2005:

“ ORA E ESTUDA ”

“ Não és a única pessoa a sofrer no mundo.
Repara à tua volta e encontrarás outros irmãos em dores.

Este lamenta a enfermidade física.
Aquele chora o ente querido que a morte levou.
Outro debate-se nas aflições ante os imprevistos do mundo.

Por enquanto, somos todos criaturas que sofrem,
carregando suas cruzes intransferíveis.

Todavia, se já podes enxergar a vida sob o ângulo luminoso
que a doutrina espírita te oferece, não te lamentes tanto
e dedica-te ao trabalho de ajuda ao próximo.

Renova teus pensamentos com a prece e o estudo,
auxiliando os irmãos do caminho,
porque toda ajuda ao próximo
será sempre auxílio para ti mesmo. ”

( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' )

12/Fevereiro/2005:

“ O MOVIMENTO MODERNISTA ”
- trecho do Capítulo 2 -

“Na verdade, o período "heróico" do movimento que traria tão maior necessidade coletiva às artes nacionais, foi esse iniciado com a exposição expressionista de Anita Malfatti e acabado com a "festa" da Semana de Arte Moderna. Durante essa meia dúzia de anos fomos realmente puros e livres, desinteressados, vivendo numa união iluminada e sentimental das mais sublimes. Isolados do mundo, caçoados, achincalhados, malditos, ninguém pode imaginar o delírio de grandeza e convencimento pessoal com que reagimos. O estado de exaltação gozado em que vivíamos era insopitável. Qualquer página de qualquer um de nós jogava os outros a acomodações prodigiosas, mas aquilo era genial!

E eram aquelas fugas desabaladas dentro da noite, na cadillac verde de Osvaldo de Andrade, para ir ler as nossas obras-primas em Santos, no Alto da Serra, na Ilha das Palmas... E os nossos encontros à tardinha na redação de Papel e Tinta... E a falange engrossando com Sérgio Milliet e Rubens Borba de Morais, chegados da Europa... E a adesão, no Rio, de um Manuel Bandeira... E as convulsões de idealismo a que nos levava o Homem e a Morte de Menotti del Picchia... E o descobrimento assombrado de que existiam em São Paulo, quadros de Lasar Segall, já muito querido através de revistas de arte alemãs... E Di Cavalcanti, um dos homens mais inteligentes que conheci, com os seus desenhos já então duma acidez destruidora. Tudo gênios, tudo obras-primas geniais... Apenas Sérgio Milliet punha um certo mal-estar no incêndio com a sua serenidade equilibrada... E o filósofo do grupo, Couto de Barros, pingando ilhas de consciência em nós, quando no meio da discussão, perguntava mansinho: - Mas qual é o critério que você tem da palavra "essencial", ou - 'Mas qual é o conceito que você faz do "belo horrível"...

Zina Aita... John Graz... Projetos que iluminavam o mundo...

Éramos uns puros. Mesmo cercados de repulsa cotidiana, a saúde mental de quase todos nós nos impedia qualquer cultivo da dor. Nisso talvez as teorias futuristas tivessem uma influência única e benéfica sobre nós. Ninguém pensava em sacrifício, nenhum se imaginava mártir: éramos uma arrancada de heróis convencidos, uns hitlerzinhos agradáveis. E muito saudáveis. Quanto a mim, mais intuída que emocionada, a consciência de culpa que depois perseguira bastante minha obra poética, apenas se entremostrara pela primeira vez nos versos finais de Minha Loucura, em Paulicéia Desvairada.

Era estranho... Aquela última frase me desagradava, eu não gostava daquilo.

Mas não tinha a menor possibilidade de renegar o que escrevera!

A Semana de Arte Moderna, ao mesmo tempo que coroamento lógico dessa arrancada gloriosamente vivida (éramos "gloriosos" de antemão...), era um primeiro golpe de pureza do nosso aristocratismo espiritual. Consagrado o movimento pela aristocracia paulista, e ainda sofreríamos por algum tempo ataques por vezes cruéis, a grandeza regional nos dava mão forte e... nos dissolvia nas impurezas da vida. Ao exemplo da vida principiavam as "intenções", os cotejos idiotas, as enfraquecedoras revisões de valores.

Está claro que a aristocracia protetora não agia de caso pensado, e se nos dissolvia, era pela própria natureza do seu destino e do seu estado regional. Principiou o movimento dos "salões". E vivemos uns seis anos na maior orgia intelectual que a história artística do País registra. (...) ”

Estes artigos foram originalmente publicados no jornal O Estado de S. Paulo, por ocasião do 20.º aniversário da Semana de Arte Moderna, em 1942. Para marcar os 80 anos do movimento modernista no Brasil, o Estadao.com.br e o caderno Cultura republicaram os artigos - CLICK AQUI e leia-os na íntegra.

( Mário de Andrade - 'Biografia' - 1893/1945 )

14/Fevereiro/2005:

“ DIA ESPECIAL...”

“ Hoje é um dia muito especial,
Um dia tão pleno de recordação.
Este dia parece não ser tão real,
E nada (parece) sofreu qualquer mutação...

Este dia significa muito prá mim,
Pois através dele muitas delícias sinto...
Lembro que minha vida era linda, sim,
Isso eu falo e sobre isso não minto.

Minha vida era muito diferente,
Há alguns anos já passados.
Tinha eu uma alegria fremente,
Uma ventura brilhante, tempos amados...

Hoje, tudo prá mim é muito diverso,
Porquê não tenho você mais aqui.
Com poucas pessoas é que eu converso,
Pois quase não posso nem mais sorrir...

Não vou escrever nestes versos,
O que hoje tenho em minh'alma.
Por isso, agora eu vos peço,
Rezai por mim, por minha calma... ”

( Daisy Duarte - 'Sonhos e Saudades' - 1955/*** )

15/Fevereiro/2005:

“ ESTRELA ”

“ Estrela que me nasceste
quando a vista mal te alcança
nessa abóbada celeste,
onde a nossa alma descansa
a sua última esperança...
Estrela que me nasceste
quando a vista mal te alcança!

Antes nascesses mais cedo,
estrela da madrugada,
e não já noite cerrada...
Que até no céu mete medo
ver essa estrela isolada...
Antes nascesses mais cedo.
Estrela da madrugada !

( João de Deus - 'Biografia' - 1830/1896 )

16/Fevereiro/2005:

“ PRECISO DE ALGUÉM ”

“ Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.

Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia,
nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu
perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.

Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
'Nós ainda vamos rir muito disso tudo', e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira,
a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela.

IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Cristiana Passinato, circula na internet como sendo de autoria de Charles Chaplin, e assim foi publicada originalmente em nosso portal. Contactados pela verdadeira autora, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito.

( Cris Passinato - 'Biografia' - 1973/*** )

17/Fevereiro/2005:

“ A FLOR DO MARACUJÁ ”

“ Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá !
Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá !

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá !
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová !
Pela lança ensangüentada
Da flor do maracujá !

Por tudo que o céu revela !
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está !!...
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá !

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá !
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá !

( Fagundes Varela - 'Biografia' - 1841/1875 )

18/Fevereiro/2005:

“ AMIGUINHOS ”

“ Engraçado lembrar de uma infância meio solitária.

Minha mãe costumava dizer que era até meio autista, que ficava horas fechada desenhando, brincando de bonecas sozinha, sem muito interagir com as outras meninas.
Pois então, eu não interagia mesmo.

Sabe, eu era a menina rotulada como mimadinha, certinha, arrumadinha, obediente demais, aquela que não se suja para o papai não brigar, não faz arte para papai não brigar, não falava com os meninos com medo de ralharem, aquela que a governanta ia para todo os lugares.

Vivia de Maria-Chiquinha, engomadinha sem um errinho aqui ou ali.

Inteligente, boas notinhas, sempre obediente á professora e perfeitinha demais para as "patricinhas" do condomínio e da escola lá de São Conrado.

Elas me achavam a pobrezinha, tipo, eu tinha as bonecas mais baratas, as roupas de supermercado e as bugigangas de feira-livre, enquanto elas tinham tudo de marca as bonecas melhores e eram os diabos.

Uma vez, recordo de uma competição de um desfile de bonecas, onde as meninas arrasaram com a minha, mas como eu havia feito sem máquina nem nada o vestido da minha Susie eles me deram o prêmio. Quase apanhei de todos lá, pois falaram que roubaram por sentir pena da menina pobrezinha.

Puxavam minha trança, levantavam minha saia, tiravam meu biquini e eu muito grandona e meio desajeitada e desastrada sempre levava a pior, não conseguia me defender e quando consegui fizeram queixa para o meu pai e ele e minha mãe me castigaram, apanhei fiquei sem regalias lutadas e conquistadas com muito esforço.

Aquelas nojentinhas não sabiam o que eu passava e o pior, seus pais não imaginavam os rituais de rejeição, perversidade por uma discriminação que passava e sofria na minha carne, o pior que minha governanta bem que tentava me ajudar, me proteger e delatar, mas eu era sempre a errada e a vergonha da família.

Sempre fui o motivo das brigas e discórdias pelos meus problemas de adaptação e aceitação social, mas eram motivos externos, não por mim mesma, por má índole.

Cheguei a achar que era deficiente mental, que era adotada sei lá, essas coisas que criança pensa quando chora no escuro, lanhada pela cinta e a dor de ardência das bordoadas do pai.

Com certeza, com o tempo foi piorando e as coisas indo mais para o lado da rejeição e isolamento, mas tentarei lembrar de casos, lembranças e relatar em prosa.

Quero fazer esse presente a mim, um balancete de tudo que fui eu para encontrar onde estão os erros, quem sabe alguém de fora com a cabeça mais fresca não ajuda?
Quem sabe eu não encontre aonde eu errei tanto
?

( Cris Passinato - 'Biografia' - 1973/*** )

21/Fevereiro/2005:

“ SELECIONAR PENSAMENTOS ”

“ Não permitas que pensamentos infelizes criem raízes em tua mente.
A vida não se resume aos problemas que defrontas neste momento.
Acima deles sorriem para ti inúmeras oportunidades de progresso espiritual.

Basta que confies em DEUS e faças o melhor ao teu alcance.
Por isso, aprende a selecionar os pensamentos que te visitam,
como quem separa as sementes sadias para cultivar o solo da alma.

Confiando e agindo no Bem,
encontrarás forças para que floresçam em ti
a harmonia e a saúde, o amor e a luz. ”

( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' )

22/Fevereiro/2005:

“ OS VOTOS ”

“ Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado,
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,
E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil,
Mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente,
E que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade,
Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro,
não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo,
nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,
Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã,
que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
e que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.

Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão
e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:
Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,
não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.

Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você.
Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem,
E que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,
E novamente, de agora até o próximo ano acabar,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda tenham amor para recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar. ”

IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo, e assim foi publicada originalmente em nosso portal, com o título 'Desejos'. Contactados pelo verdadeiro autor, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito.

( Sergio Jockymann - 'Biografia' - 1978/*** )

23/Fevereiro/2005:

“ FICO CONTENTE CONTIGO ”

“ Se eu pudesse
voltar as horas
da longa vida,
viver de novo,
eu as viveria.

E bem contente,
assim feliz
de teu carinho
e amor-ternura.
no bom destino.

Aprendi
esses anos todos
do muito tempo
das muitas coisas
que não sabia.

As horas vêm
de ensinamentos
e melhor saber
para nós dois.

Sonha comigo,
morena linda,
um bom viver
o meu amor,
o nosso amor.
Ontem, hoje,
ainda sempre ! ”

( Wanderlino Arruda - 'Biografia' - 1934/**** )

24/Fevereiro/2005:

“ ANTIGO AMOR ”

“ Bela mulher,
Um desenho de menina.
Rosto, busto e feição feminina.
Seus olhos não imaginavam vir um dia querer.

Bela época da meninice
Não sofreria com a sandice
Do amor que a flecharia
Deixando-a em prantos um dia.

Provocante e com ousadia
Destacaría-se um dia
Com sua postura de bailarina
Dançando em salões pela marina.

Soldados, civis e marinheiros
Mesmo de seus veleiros
Avistavam sua astuta silhueta
Travando-se disputas pelas suas piruetas.

Um dentre eles seria
O felizardo do beijo dado
Olhares e valsas rodopiaria
Com o faisão das águas de coração armado.

Mal sabia ela
Que seria somente usada
Após desalmada
Jogada pela janela.

Após a tragédia,
Nada seria mais colorido
Nunca mais haveria sorriso
Nem mesmo um gracejo fazendo-lhes média.

Para a bela donzela
A vida teria ali o fim,
A triste sina
Do destino
Seria um só:
A solidão com a maturidade e falta de 'glamour'. ”

( Cris Passinato - 'Biografia' - 1973/*** )

25/Fevereiro/2005:

“ POEMA PATÉTICO ”

“ Que barulho é esse na escada?
É o amor que está acabando,
é o homem que fechou a porta
e se enforcou na cortina.

Que barulho é esse na escada?
É Guiomar que tapou os olhos
e se assoou com estrondo.
É a lua imóvel sobre os pratos
e os metais que brilham na copa.

Que barulho é esse na escada?
É a torneira pingando água,
é o lamento imperceptível
de alguém que perdeu no jogo
enquanto a banda de música
vai baixando, baixando de tom.

Que barulho é esse na escada?
É a virgem com um trombone,
a criança com um tambor,
o bispo com uma campainha
e alguém abafando o rumor
que salta de meu coração . ”

( Carlos Drummond de Andrade - 'Biografia' - 1902/1987 )

28/Fevereiro/2005:

“ MENINA MOÇA”

“ Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem cousas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando-se talvez
A lição de sintaxe em que combina o verbo
To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!

Ah! se nesse momento, alucinado, fores
Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher! ”

( Machado de Assis - 'Biografia' - 1839/1908 )

 

 

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