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FEVEREIRO de 2005 |
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02/Fevereiro/2005:
NADA TEMAS
Irmão de jornada. Esvazia
a mente de todo pensamento sombrio. Nada
temas. ( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' ) 03/Fevereiro/2005:
O TEMPO
O tempo é bênção divina que merece respeito. Bem
usado, converte-se em manancial de bênçãos, favorecendo
o progresso. Aprende
a confiar em Deus e no tempo. ( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' ) 04/Fevereiro/2005:
A MÁSCARA
Eu
sei que há muito pranto na existência, Assim
a turba inconsciente passa, E
entre a mágoa que mascra eterna apouca ( Augusto dos Anjos - 'Biografia' - 1884/1914 ) 09/Fevereiro/2005:
MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções Pelas
ruas o que se vê é uma gente que nem se vê E
no entanto é preciso cantar A
tristeza que a gente tem, qualquer dia vai se acabar Porque
são tão tantas coisas azuis, há tão grandes
promessas de luz Com
a beleza dos velhos carnavais ( Vinícius de Moraes
- 'Biografia'
- 1913/1980 ) 10/Fevereiro/2005:
OFÍCIO DE PINTOR
A cor do céu é que escolho primeiro. Vistas
de perto, O
que não pode O
que dá alegria aos pincéis do pintar, ( Wanderlino Arruda - 'Biografia' - 1934/**** ) 11/Fevereiro/2005:
ORA E ESTUDA
Não és a única pessoa a sofrer no mundo. Este
lamenta a enfermidade física. Por
enquanto, somos todos criaturas que sofrem, Todavia,
se já podes enxergar a vida sob o ângulo luminoso Renova
teus pensamentos com a prece e o estudo, ( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' ) 12/Fevereiro/2005:
O MOVIMENTO MODERNISTA Na verdade, o período "heróico" do movimento que traria tão maior necessidade coletiva às artes nacionais, foi esse iniciado com a exposição expressionista de Anita Malfatti e acabado com a "festa" da Semana de Arte Moderna. Durante essa meia dúzia de anos fomos realmente puros e livres, desinteressados, vivendo numa união iluminada e sentimental das mais sublimes. Isolados do mundo, caçoados, achincalhados, malditos, ninguém pode imaginar o delírio de grandeza e convencimento pessoal com que reagimos. O estado de exaltação gozado em que vivíamos era insopitável. Qualquer página de qualquer um de nós jogava os outros a acomodações prodigiosas, mas aquilo era genial! E eram aquelas fugas desabaladas dentro da noite, na cadillac verde de Osvaldo de Andrade, para ir ler as nossas obras-primas em Santos, no Alto da Serra, na Ilha das Palmas... E os nossos encontros à tardinha na redação de Papel e Tinta... E a falange engrossando com Sérgio Milliet e Rubens Borba de Morais, chegados da Europa... E a adesão, no Rio, de um Manuel Bandeira... E as convulsões de idealismo a que nos levava o Homem e a Morte de Menotti del Picchia... E o descobrimento assombrado de que existiam em São Paulo, quadros de Lasar Segall, já muito querido através de revistas de arte alemãs... E Di Cavalcanti, um dos homens mais inteligentes que conheci, com os seus desenhos já então duma acidez destruidora. Tudo gênios, tudo obras-primas geniais... Apenas Sérgio Milliet punha um certo mal-estar no incêndio com a sua serenidade equilibrada... E o filósofo do grupo, Couto de Barros, pingando ilhas de consciência em nós, quando no meio da discussão, perguntava mansinho: - Mas qual é o critério que você tem da palavra "essencial", ou - 'Mas qual é o conceito que você faz do "belo horrível"... Zina Aita... John Graz... Projetos que iluminavam o mundo... Éramos uns puros. Mesmo cercados de repulsa cotidiana, a saúde mental de quase todos nós nos impedia qualquer cultivo da dor. Nisso talvez as teorias futuristas tivessem uma influência única e benéfica sobre nós. Ninguém pensava em sacrifício, nenhum se imaginava mártir: éramos uma arrancada de heróis convencidos, uns hitlerzinhos agradáveis. E muito saudáveis. Quanto a mim, mais intuída que emocionada, a consciência de culpa que depois perseguira bastante minha obra poética, apenas se entremostrara pela primeira vez nos versos finais de Minha Loucura, em Paulicéia Desvairada. Era estranho... Aquela última frase me desagradava, eu não gostava daquilo. Mas não tinha a menor possibilidade de renegar o que escrevera! A Semana de Arte Moderna, ao mesmo tempo que coroamento lógico dessa arrancada gloriosamente vivida (éramos "gloriosos" de antemão...), era um primeiro golpe de pureza do nosso aristocratismo espiritual. Consagrado o movimento pela aristocracia paulista, e ainda sofreríamos por algum tempo ataques por vezes cruéis, a grandeza regional nos dava mão forte e... nos dissolvia nas impurezas da vida. Ao exemplo da vida principiavam as "intenções", os cotejos idiotas, as enfraquecedoras revisões de valores. Está claro que a aristocracia protetora não agia de caso pensado, e se nos dissolvia, era pela própria natureza do seu destino e do seu estado regional. Principiou o movimento dos "salões". E vivemos uns seis anos na maior orgia intelectual que a história artística do País registra. (...) Estes artigos foram originalmente publicados no jornal O Estado de S. Paulo, por ocasião do 20.º aniversário da Semana de Arte Moderna, em 1942. Para marcar os 80 anos do movimento modernista no Brasil, o Estadao.com.br e o caderno Cultura republicaram os artigos - CLICK AQUI e leia-os na íntegra. ( Mário de Andrade - 'Biografia' - 1893/1945 ) 14/Fevereiro/2005:
DIA ESPECIAL...
Hoje é um dia muito especial, Este
dia significa muito prá mim, Minha
vida era muito diferente, Hoje,
tudo prá mim é muito diverso, Não
vou escrever nestes versos, ( Daisy Duarte - 'Sonhos e Saudades' - 1955/*** ) 15/Fevereiro/2005:
ESTRELA
Estrela
que me nasceste Antes
nascesses mais cedo, ( João de Deus - 'Biografia' - 1830/1896 ) 16/Fevereiro/2005:
PRECISO DE ALGUÉM
Que me olhe nos olhos quando falo. Nesse
mundo de céticos, preciso de alguém que creia, Preciso
de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, IMPORTANTE:
esta poesia, de autoria de Cristiana Passinato, circula na internet
como sendo de autoria de Charles Chaplin, e assim foi publicada originalmente
em nosso portal. Contactados pela verdadeira autora, com muito prazer
desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem
de direito. ( Cris Passinato - 'Biografia' - 1973/*** ) 17/Fevereiro/2005:
A FLOR DO MARACUJÁ
Pelas rosas, pelos lírios, Pelas
tranças da mãe-d'água Pelas
azuis borboletas Pelo
mar, pelo deserto, Por
tudo que o céu revela ! Não
se enojem teus ouvidos ( Fagundes Varela - 'Biografia' - 1841/1875 ) 18/Fevereiro/2005:
AMIGUINHOS Engraçado lembrar de uma infância meio solitária. Minha
mãe costumava dizer que era até meio autista, que ficava
horas fechada desenhando, brincando de bonecas sozinha, sem muito interagir
com as outras meninas. Sabe, eu era a menina rotulada como mimadinha, certinha, arrumadinha, obediente demais, aquela que não se suja para o papai não brigar, não faz arte para papai não brigar, não falava com os meninos com medo de ralharem, aquela que a governanta ia para todo os lugares. Vivia de Maria-Chiquinha, engomadinha sem um errinho aqui ou ali. Inteligente, boas notinhas, sempre obediente á professora e perfeitinha demais para as "patricinhas" do condomínio e da escola lá de São Conrado. Elas me achavam a pobrezinha, tipo, eu tinha as bonecas mais baratas, as roupas de supermercado e as bugigangas de feira-livre, enquanto elas tinham tudo de marca as bonecas melhores e eram os diabos. Uma vez, recordo de uma competição de um desfile de bonecas, onde as meninas arrasaram com a minha, mas como eu havia feito sem máquina nem nada o vestido da minha Susie eles me deram o prêmio. Quase apanhei de todos lá, pois falaram que roubaram por sentir pena da menina pobrezinha. Puxavam minha trança, levantavam minha saia, tiravam meu biquini e eu muito grandona e meio desajeitada e desastrada sempre levava a pior, não conseguia me defender e quando consegui fizeram queixa para o meu pai e ele e minha mãe me castigaram, apanhei fiquei sem regalias lutadas e conquistadas com muito esforço. Aquelas nojentinhas não sabiam o que eu passava e o pior, seus pais não imaginavam os rituais de rejeição, perversidade por uma discriminação que passava e sofria na minha carne, o pior que minha governanta bem que tentava me ajudar, me proteger e delatar, mas eu era sempre a errada e a vergonha da família. Sempre fui o motivo das brigas e discórdias pelos meus problemas de adaptação e aceitação social, mas eram motivos externos, não por mim mesma, por má índole. Cheguei a achar que era deficiente mental, que era adotada sei lá, essas coisas que criança pensa quando chora no escuro, lanhada pela cinta e a dor de ardência das bordoadas do pai. Com certeza, com o tempo foi piorando e as coisas indo mais para o lado da rejeição e isolamento, mas tentarei lembrar de casos, lembranças e relatar em prosa. Quero
fazer esse presente a mim, um balancete de tudo que fui eu para encontrar
onde estão os erros, quem sabe alguém de fora com a cabeça
mais fresca não ajuda? ( Cris Passinato - 'Biografia' - 1973/*** ) 21/Fevereiro/2005:
SELECIONAR PENSAMENTOS
Não permitas que pensamentos infelizes criem raízes em
tua mente. Basta
que confies em DEUS e faças o melhor ao teu alcance. Confiando
e agindo no Bem, ( Scheilla / Clayton B. Levy - 'A Mensagem do Dia' ) 22/Fevereiro/2005:
OS VOTOS
Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também
amado, Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar. Desejo
também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis, Desejo,
depois, que você seja útil, não insubstituivelmente
útil, Desejo
que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais
e que, sendo maduro, Desejo,
por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo, Desejo
que você descubra com o máximo de urgência, acima
e a despeito de tudo, Desejo
ainda que você afague um gato, que alimente um cão Desejo
também que você plante uma semente, Desejo,
outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser
prático. Desejo
ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, Desejo
também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você. Desejo,
por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem, E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar. IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo, e assim foi publicada originalmente em nosso portal, com o título 'Desejos'. Contactados pelo verdadeiro autor, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito. ( Sergio Jockymann - 'Biografia' - 1978/*** ) 23/Fevereiro/2005:
FICO CONTENTE CONTIGO
Se
eu pudesse
E bem contente,
Aprendi
As horas vêm
Sonha comigo, ( Wanderlino Arruda - 'Biografia' - 1934/**** ) 24/Fevereiro/2005:
ANTIGO AMOR
Bela
mulher, Bela
época da meninice Provocante
e com ousadia Soldados,
civis e marinheiros Um
dentre eles seria Mal
sabia ela Após
a tragédia, Para
a bela donzela ( Cris Passinato - 'Biografia' - 1973/*** ) 25/Fevereiro/2005:
POEMA PATÉTICO
Que
barulho é esse na escada? Que
barulho é esse na escada? Que
barulho é esse na escada? Que
barulho é esse na escada? ( Carlos Drummond de Andrade - 'Biografia' - 1902/1987 ) 28/Fevereiro/2005:
MENINA MOÇA
Está naquela idade inquieta e duvidosa, Às
vezes recatada, outras estouvadinha, Outras
vezes valsando, o seio lhe palpita, Outras
vezes beijando a boneca enfeitada, Quando
a sala atravessa, é raro que não lance Tem
na alcova em que dorme, e descansa de dia, Alegra-se
em ouvindo os compassos da orquestra; Dos
cuidados da vida o mais tristonho e acerbo Quantas
vezes, porém, fitando o olhar no espaço, Ah!
se nesse momento, alucinado, fores É
que esta criatura, adorável, divina, ( Machado de Assis - 'Biografia' - 1839/1908 )
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