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INCLUSÃO DIGITAL COMEÇA AQUI:** 1964 APRENDEU COM 1917 ??? **
Sempre que posso, e este mês de março de 2006 me oferece mais uma oportunidade, faço questão de repetir que estava absolutamente certo, ao marchar com o 2º R0105, junto da Revolução de 1964.
Segundo meu entendimento, ninguém pode contestar que, após a 2ª Guerra Mundial, em virtude do Acordo entre as Grandes Potências, que acabou favorecendo o Expansionismo Comunista, o Mundo, ideologicamente, foi dividido em dois: de um lado, o COMUNISMO da União Soviética, que ocupava parte da Europa e Ásia, pouco depois a China Continental, também na Ásia, e mais adiante Cuba, na América Latina, além de outras nações (as três citadas interessam mais de perto ao Brasil); do outro lado, o CAPITALISMO democrático, liderado pelos EUA e outros países europeus.
Ninguém pode negar, também, que todas as nações comunistas foram Ditaduras, com execuções sumárias de adversários, sem eleições livres e sem liberdade de Imprensa. Na URSS, durou desde 1917 até o reconhecimento do fracasso, e o início da sua dissolução, em 1989, setenta e dois (72) anos depois. Na China, que agora parece iniciar uma discreta abertura, todos os seus governantes, nestes 57 anos (de 1949 até 2006), foram indicados pelo Partido Comunista. Em Cuba, desde 1959, temos Fidel Castro, com 47 anos de governo...
Ademais, não se pode deixar de considerar que o Comunismo, como idealizado pelos seus criadores, não pode conviver com o Capitalismo, particularmente nas relações comerciais entre as Nações. Daí a necessidade da sua expansão, bem explicitada pelo rótulo, "Comunismo Internacional", que pelo seu compromisso Ideológico e Determinismo, invadia países para a Tomada do Poder através da conquista das Mentes e/ou pela Luta Armada. O Brasil foi um dos alvos da "Intentona Comunista", em 1935.
Gostem ou não gostem, o "Macartismo" imunizou
os EUA contra a expansão ideológica do Comunismo.
Voltemos ao final da 1ª Guerra Mundial e à Vitória Comunista
de 1917: - Havia fome na Rússia e o Exército Russo estava
com o Moral Baixo; - Os soldados, mal treinados, recusavam-se a ir para a
frente de batalha; - e o Czar Nicolau estava desgastado por causa da influência
de Rasputin... O Exército, chamado para conter uma Revolta em Petrogrado,
aliou-se aos revoltosos e o Czar renunciou, em Março de 1917. Para
se ter uma idéia da situação do Exército Russo,
naqueles idos, ele foi derrotado pelo Exército da Polônia, em
1920, que com esta vitória recuperou territórios fronteiriços,
naquela época em litígio com a Rússia.
Vamos, agora, ao Brasil de 1963 e 1964: - Não havia fome como na Rússia, em 1917, nem tínhamos as Forças Armadas mal treinadas, (mas sim, bem treinadas e com Moral Elevado). Todavia, o Presidente Jango, influenciado pelos comunistas, pregava e estimulava abertamente, nos comícios, mensagens radicais contra as instituições, como por exemplo, "Reformas, na Lei ou na Marra". Tentou intervir no Rio de Janeiro, contra o Governador Lacerda, utilizando-se do "Estado de Sítio"; ainda nesta ocasião, o seu governo, por intermédio do Comandante da Brigada Pára-quedista, quis seqüestrar o Governador Lacerda. Ainda PIOR: o próprio Presidente da República procurou, com engodos, incentivar a Indisciplina nas Forças Armadas, jogando subordinados contra superiores, como ocorreu na Revolta dos Sargentos, em Brasília, na Revolta dos Marinheiros, e na Reunião do Automóvel Clube, novamente, envolvendo os Sargentos.
Muitos militares de respeito, como o General Castelo Branco, não desejavam a Revolução, confiavam na Lealdade das Forças Armadas e preferiam esperar pelas Eleições de 1965. Aqui, uma observação pessoal: - Não sei se seria uma medida acertada esperar um ano pelas Eleições, porque as Rebeliões, e evoco a Comunista de 1917, ganham corpo numa progressão, a maioria das vezes tão rápida e explosiva que, quando se vai enfrentá-las já não é mais possível, ou vai custar uma luta fratricida com perdas incalculáveis para a Nação...
Neste ponto, não posso deixar de relembrar a participação decisiva de três militares nos episódios do "Estado de Sítio" e do Seqüestro de Carlos Lacerda: No "Estado de Sítio", que não se efetivou, o General Castelo Branco que, como Chefe do Estado Maior do Exército, manifestou-se contra, em expediente dirigido ao Ministro do Exército. No outro fato, os coronéis Boaventura, da Artilharia, e Aragão Cavalcanti, da Infantaria, que se recusaram a cumprir a insólita Missão do Seqüestro do Governador Lacerda, que lhes foi dada pelo Comandante da Brigada Pára-quedista.
Agiram, acertadamente, no meu modo de ver, o Governador Magalhães Pinto e os Generais Guedes e Mourão, com o manifesto apoio do Povo Brasileiro (sem qualquer sombra de dúvida), ao deflagrarem, com as tropas do Exército de Minas Gerais, a Revolução de 1964. Tanto que esta venceu sem que se disparasse um tiro, com a adesão quase que imediata da expressiva maioria das Forças Armadas, atenta e vigilante (houve um retardo do III Exército, devido a Brizola, mas Jango não quis resistir), sendo logo referendada pelo Congresso Nacional.
Com as lições de 1917, que os militares nunca esqueceram (Tropa Treinada e com Moral Elevado), Castelo agiu de forma descentralizada e logo eliminou os Focos Comunistas, em 1964, e Médici, com firmeza, os derrotou, definitivamente, na Luta Armada das Guerrilhas - Urbana (assassinatos de militares estrangeiros, brasileiros e até mesmo de comparsas, julgados traidores; seqüestro de embaixadores estrangeiros; atentados a bomba, inclusive contra jornais; e assaltos a bancos, roubo de armas, etc) e Rural, iniciada por "Comunistas-Terroristas", sob a orientação da Revolução Cultural que eclodiu na França, em 1968. Os fatos mostram que os Governos Militares, em apenas 20 anos (1964-1984), derrotaram o Comunismo no Brasil, anistiaram guerrilheiros e permitiram a volta dos exilados, pacificando a Nação e devolvendo o Governo aos civis em 1985. Enquanto isso o Chile, a Argentina e a Colômbia, por terem retardado a ação contra os Comunistas, tiveram problemas muito mais sérios, com grande número de vidas humanas perdidas, estando a Colômbia, ainda hoje, às voltas com a Guerrilha, Zona Liberada e Seqüestros Políticos.
Vamos agora à minha participação na Revolução de 1964, pequena, na verdade, mas que eu não me canso de sempre que posso recordar, porque tenho orgulho do que fiz:
Em 1963, depois do dia de aulas na EsAO, junto com os meus companheiros do Exército, Carneiro Leão e Penteado, ambos da Turma de 1952, ia, à noite, participar das reuniões de protesto no Clube Militar, às quais compareciam oficiais das três Forças Armadas. Aqui vou abordar um assunto, por me parecer Educativo nestes tempos de dúvidas e angústias pelas quais os militares estão passando: Como o Presidente do Clube era contra as reuniões, eu, junto com os meus dois companheiros e outros, (me lembro do Mazzoni, da turma de 1949 e do hoje, General Barroso, de 1952) conseguimos fazê-lo voltar atrás porque tínhamos uma informação do Mazzoni, segundo a qual o Ministro da Guerra entendia que, se os militares queriam se reunir, o lugar mais adequado seria no Cube Militar !!!
Na noite do dia 31 de março de 1964, quando já servia no 2º RO105, em Itu-SP, após autorização do General Kruel, depois duma tentativa frustrada deste junto a Jango, para que ele recuasse na sua maneira de governar, eu e o meu colega de turma, Lótus Silva de Paula, por ordem do Comandante, o coronel Benedito Maia Pinto de Almeida (depois, General de Exército), largamos na frente da Unidade com a Missão de Reconhecimento, em direção ao Rio de Janeiro, de onde estariam vindo tropas fiéis a Jango. Na LPE (metade do caminho ao Rio) e até quando o RO chegou, ao entardecer, não havendo qualquer sinal das tropas do Rio, entendemos, eu, o Lótus e o Cel Benedito, de que, talvez, a Guerra já poderia estar ganha. Após um jantar, debaixo de chuva, seguimos adiante e o RO acantonou em Resende-RJ, e, no dia seguinte, estive presente na ante-sala do Gabinete do Comando da Academia Militar, onde e quando se deu a adesão do I Exército à Revolução. Na volta, o 2º RO105 passou dias de prontidão, no Ibirapuera, e ao chegar a ITU foi recebido com muitas homenagens, pelo povo, que foi às ruas aplaudir o retorno do Regimento !!!
Depois, em 1968 e seguintes, como aluno da Escola de Estado Maior do Exército, fui designado para fazer censura em Emissora de Rádio do Rio de Janeiro. Aqui, novo esclarecimento: - Numa Guerra Ideológica, é de importância decisiva o controle das informações. Uma notícia tendenciosa, divulgada, pode mudar a "cabeça do Povo", como também, a notícia de uma prisão, com certeza, vai dar oportunidade para que os demais envolvidos num Ato Terrorista tenham a oportunidade de fugir... Esta é a realidade !!!
Em outra oportunidade, na mesma Escola, pouco após o atentado praticado por terroristas contra o II Exército, fui designado junto com outro aluno, da turma de 1953, Gerson Mendonça de Freitas, para reforçar aquela Grande Unidade, por alguns dias. Eu fiquei no Exército e o Gerson foi para a Divisão. No Exército, entre outras missões, merecem citação a "Mensagem a Garcia" que recebi para traduzir, do Francês, uma Diretriz da Revolução Cultural, e outra experiência que tive e que bem define a quem combatíamos. Encontrei-me no saguão do Quartel General com uma mulher, acho que o codinome era Dora, uma das participantes do atentado que explodiu o recruta Mario Kösel Filho, de sentinela no momento do ataque. Conversando com ela, me dizia lutar contra as desigualdades sociais..., contestada pela incoerência entre o seu discurso e o atentado que vitimou um jovem inocente, ela, simplesmente, me respondeu: - Fiz pelo Partido e o faria de novo !!!
Mais tarde, já como oficial do Estado Maior da 10ª
Região Militar, participei da Organização de um Batalhão
de Infantaria Reforçado, composto por Companhias dos 23, 24 e 25 Batalhões
de Caçadores que, por Ordem Superior, comandado pelo Cel Eider Nogueira
Mendes, Turma de 1948, deslocou-se para Xambioá, no Pará, a
fim de enfrentar e derrotar a Guerrilha Rural, identificada naquela
área.
Não quero encerrar estas singelas observações e recordações,
sem destacar aquele que, na minha opinião, foi o maior herói
da Revolução de 31 de março de 1964, o General Médici.
Foi ele quem, na qualidade de General de Brigada, tomou a decisão que
pode ter mudado o curso da História do Brasil, ao dar aos cadetes da
Academia Militar de Agulhas Negras a Missão de Barrar, na Rodovia
Rio - São Paulo, as tropas do I Exército, consideradas fiéis
a Jango, e que vinham do Rio de Janeiro. Para mim, esta sábia e corajosa
decisão, efetivada pelo General Médici, apressou a adesão
do I Exército à Revolução e a conseqüente
Vitória Final.
Como seria a História do Brasil se as tropas do Rio de Janeiro tivessem prosseguido livremente até São Paulo, sem serem detidas em Resende-RJ, pelos cadetes, considerando-se principalmente que, naquele momento, no Rio Grande do Sul, Brizola e o Comandante do III Exército insistiam em defender a permanência de Jango no Governo? Acho que Deus colocou o Homem Certo no Lugar Certo. Médici é um exemplo para os nossos Generais.
1964 aprendeu com 1917. Todos os Brasileiros
têm muito o que aprender sobre e com 1964 !!!
( Cel Bayma Kerth
- Grupo
Guararapes - 1930/**** )
fale
com o autor
CEL
BAYMA KERTH, Coronel do Exército reformado
José Antônio Bayma Kerth - Turma de 1951.
ESTAMOS VIVOS! GRUPO GUARARAPES!
PERSONALIDADE JURÍDICA sob reg. Nº 12 58 93, Cartório do
1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza e, caixa postal
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OPINIÃO e COMENTÁRIOS:
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(1) Como democrata convicto, talvez desde os idos tempos
da antiga Grécia..., não tenho simpatia por qualquer regime
de força, seja de direita ou esquerda, e sempre defendi o final da
'Ditadura Militar' neste país... Todavia, também não
nutro nenhuma simpatia por mentirosos, desonestos e ladrões de todos
os tipos... e nunca me passou pela cabeça que os políticos civis
brasileiros fossem capazes de tamanha imoralidade, tamanho desrespeito à
Pátria Amada, sua Bandeira e sua Gente !!! Infelizmente, vivemos hoje
num país degenerado, em meio ao caos da imoralidade, do contra-exemplo
e da falta de ética dos DESGOVERNOS, em todos os níveis,
onde, embora vivenciemos, hipocritamente, o 'Estado de Direito', relembramos
o grande Rui Barbosa: '... as fezes da imoralidade comprimida rebentam em
pústulas nos centros da vida social...' e, com certeza, espalham
o seu odor fétido até as narinas dos milhares de brasileiros
honestos, que ainda conseguem exercitar o direito de pensar e agir...
e os fazem relembrar, inclusive, não apenas dos erros e do arbítrio,
mas também dos acertos da Ditadura Militar, durante a qual havia patriotismo,
os cidadãos somente saíam do Grupo Escolar sabendo LER e ESCREVER
em bom português, sabendo as quatro operações básicas
da aritmética e a tabuada 'de cor'..., tempos em que os corruptos eram
punidos, os agiotas desprezados e os bandidos comuns agiam apenas 'na calada
da noite'... não se atrevendo a governar cidades ou afrontar as autoridades...
e estas reflexões são terríveis para um democrata convicto...
(Eng. Celio Franco - Gestor do Portal NSP)
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(2) Estamos às vésperas de uma data negra em nossa história. Em 1964, um movimento direitista nos levou a uma situação de desumanidade, de desrespeito com o ser humano, isso tudo utilizando inclusive a Igreja que não sei por qual motivo não foi capaz de avaliar a real situação da época. Mas se fizermos uma reflexão sobre os dias que vieram após a ditadura, verificamos que nada realmente mudou. Os assassinatos dos excluídos continuam, o desaparecimento dos excluídos continua, a falta de direitos humanos dos excluídos continua, não temos como melhorar a nossa educação (educação em termo amplo), não temos como utilizar os meios de segurança, pois eles não existem, a saúde é para poucos, não temos Congresso, aqueles que ocupam aquela casa, são pessoas ridículas, de comportamento ridiculo, pois vibram e dançam com a não condenação de corruptos e de marginais.
O Chefe do nosso exército usurpa, no maior cinismo, o lugar de cidadãos em aviões de carreira em proveito próprio. O nosso Ministro da Fazenda está envolvido em negociatas vergonhosas e participando de orgias em casas alugadas. O partido da situação é um caos, sem responsabilidade e composto por pessoas com atitudes no mínimo inconfessáveis. O nosso Presidente não sabe de nada, é um omisso, um elemento sem nenhum conhecimento da vida humana, um ignorante em todos os sentidos. Eu lamento, mas votei nele, tenho minha culpa e arrependo amargamente de ter-lhe dado esse voto.
A revolução de 1964 não acabou, continuamos na pior das ditaduras a Ditadura Financeira, a Ditadura da Ignorância, a Ditadura da Falta de Temor a Deus, a Ditadura dos Homens sem Escrúpulos e das mulheres sem pudor...
Creio que somente Deus pode realmente ajudar o Brasil.
Jorge Martins César - Belo Horizonte-MG
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BIOGRAFIA RESUMIDA DO CEL BAYMA KERTH
Nome - José Antonio Bayma Kerth,
Nascimento - São Luis do Maranhão-MA, no ano de 1930.
Coronel do Exército da Arma de Artilharia - Turma de
1951, Id 100163020-9, Min Ex.
Primeira Unidade onde serviu - 10o GAT-75, Fortaleza, Ce, 1952.
Principais cargos militares exercidos: Comandante de Bateria no 10o GAT, Instrutor da Academia Militar de Agulhas Negras, Comandante de Grupo de Artilharia Incorporado, no 2O RO-105 em Itu, SP, Oficial do Estado Maior da 10a Região Militar e Comandante Geral da Polícia Militar do Ceará, 1975-1979.
Promoções: Todas, de Major a Coronel, por merecimento.
Cursos Militares e de interesse militar: Escola de Educação Física do Exército, Aperfeiçoamento de Oficiais, Curso de Comando e Estado Maior do Exército e ADESG.
Principais cargos Civis de interesse militar: Chefe do Serviço de Informações do Estado do Ceará, 1979-1982, e Presidente do Círculo Militar de Fortaleza.
Principais Missões cumpridas na Revolução
de 1964:
- Por ordem do Cmt do 2o RO 105, o então, Coronel Benedicto Maia Pinto
de Almeida, o Capitão Bayma Kerth deslocou-se na noite de 31.03.1964,
à frente do Regimento, em direção ao Rio de Janeiro,
na companhia de seu colega de Turma, o também Capitão, Lótus
Silva de Paula, para se antepor às tropas obedientes a Jango.
- Por ordem do Cmt da Escola de Estado Maior, o Major Bayma Kerth, quando
era aluno daquela Escola, após, o atentado a bomba contra o QG/IIEx,
foi mandado deslocar-se para São Paulo, na companhia de outro aluno,
o também, Major de Artilharia, Gerson Mendonça de Freitas, da
Turma de 1953, para atuarem em reforço àquela Grande Unidade.
José Antonio Bayma Kerth, Cel Exército, Id 100163020-9,
Min Ex. - e-mail: ckerth@ig.com.br