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20/Jan/2006
!!! LIBERDADE PARA PENSAR E AGIR - Nº 31/2006 !!!

** A CULTURA DA ESMOLA NO GOVERNO APEDEUTA **

“As receitas populistas sempre terminaram mal. Não conseguem evitar a corrupção, o autoritarismo, a cultura da esmola”. (Maria Barbosa, socióloga)

Ao lermos o artigo "América Latina: O Continente Perdido" da socióloga Maria Barbosa (*)", somos motivados a expor, mais uma vez, nossas angústias sobre o resultado, para o presente e o futuro do nosso país, de um dos piores governos que já conseguimos eleger, o governo do apedeuta, príncipe das trevas da política.

Este filho de Caetés que continua capturando o Estado com seus militantes - e alguns meliantes -, nos ameaça com uma tentativa desesperada de se reeleger, tampando a toque de caixa os buracos da incompetência de sua gestão, mesmo depois do reconhecimento por uma parcela majoritária da sociedade, do péssimo governo que está fazendo, e da absoluta falência das teses petistas de combate a imoralidade e à corrupção nas relações públicas-privadas, à exceção do trabalho da Polícia Federal e Ministério Público, que conseguem apenas punir a turma dos não blindados pelo corporativismo entre os poderes da República.

O governo do matuto, sem conotação pejorativa, que por seus próprios méritos virou presidente, está mergulhado em denúncias de corrupção, triste imitação aperfeiçoada de algumas gestões passadas, com a novidade de bordões imbecis e cansativos: "não era caixa dois, era dinheiro não declarado", ou "eu não sabia de nada", entre tantas outras descaradas ofensas ao povo brasileiro, que, infelizmente, em grande parte, ainda resiste em renunciar ao seu papel no picadeiro do Circo Brasil.

Um dos objetivos principais deste sonho irresponsável do apedeuta - a reeleição -, cada vez mais distante, é também, não permitir que seu partido, o PT - vítima direta de sua desastrada administração pública -, entre em decomposição política terminal pelos trágicos efeitos da "facada nas costas" pela militância que virou meliância-lambança de "meia dúzia" de atores do mais degradante espetáculo de corrupção que a sociedade brasileira já pôde presenciar, imitando com requintes de especialização seus antecessores.

Sua reeleição servirá também para tentar levar avante o projeto fascista de perpetuação no poder, fantasiado nos seus sonhos chavistas-fidelistas-marxistas-populistas, inebriados pela fumaça dos charutos cubanos e pelos efeitos dos goles de pinga, nas comemorações feitas pelos seus "traidores-de-facada-nas-costas", na Ilha da Fantasia da Prostituição Política, para curtir os efeitos positivos dos mensalões - "doados" pelos cúmplices do seu projeto de poder, aos "companheiros" da base aliada - com seus valores "não registrados" na contabilidade oficial dos agentes do roubo do dinheiro público.

Às vezes penso, ou quase tenho a certeza, que o Delfin Netto, por incrível que pareça, um prestigiado parlamentar - aquele poderoso ministro que, em plena ditadura militar, avalizou uma das maiores mentiras econômicas do século XX, enfatizando a necessidade de primeiro se concentrar a riqueza nas
mãos de poucos e depois distribuí-la, visando conquistar para a ditadura o apoio das elites dominantes - seja um dos gurus malditos dessa gente que, na verdade, continua provocando uma covarde e injusta transferência de renda, com a absurda complacência de uma sociedade apática, diante da incrível exploração pelos poderes dominantes.

Alguns ministros deste desastrado governo petista, devem ter lido em algum manual de economia pseudomarxista ultrapassado e mentiroso, que governar o país é formalizar a desigualdade social com os famigerados programas "bolsas-pobreza" - confundindo a redução da pobreza absoluta com o cínico assistencialismo eleitoreiro -, e continuando a fazer os ricos ficarem mais ricos para garantir a sua eternização no poder.

O governo petista, seguindo os passos do poderoso ministro do tempo da ditadura, formaliza a pobreza - com seus programas assistencialistas - e redistribui a renda, fazendo os ricos ficarem mais ricos através da maior taxa de juros do mundo, para remunerar os investidores nos títulos do governo, conseqüência direta do argumento idiota de uma desculpa incompetente-mentirosa de não poder controlar uma inflação por outro meio, em um país onde se consegue vender para um povo sem consciência crítica a estúpida idéia de que os pobres, os menos favorecidos, e os aposentados, não
podem ganhar mais para comprar mais, pois isso vai causar o aumento da inflação.

Paradoxalmente, com uma hipocrisia sem par, este mesmo hediondo governo promove o incentivo, com a competente ajuda dos artistas globais, ao criminoso endividamento de milhões de pessoas - os aposentados e os trabalhadores com carteira assinada - através de financiamentos com desconto
em folha de pagamento e taxas de juros escorchantes, para deixar os banqueiros cada vez mais felizes com a administração petista. Ou seja, o pobre não pode aumentar sua renda pela recuperação do seu poder de compra através do "salário" que recebe, mas tão somente pelo endividamento promovido pelo governo. Depois, vemos uma cambada de consultores aceitando o papel de idiotas e aparecendo na TV Globo, para ensinar o povo a controlar seu orçamento familiar, aconselhando-o a consumir agora menos para poder pagar aos banqueiros os juros das dívidas, um verdadeiro embuste na consciência dos explorados.

Temos, também, o fato de que, com a desculpa de controlar a inflação, e para a alegria incontrolável das elites, que rolam de rir da passividade do povo, que vive se deixando enrolar pelos seus exploradores, o endividamento interno do governo está colocando mais de doze bilhões de reais por mês na "poupança" dos cada vez mais ricos.

Esta fortuna não está sendo investida em educação, saúde pública, saneamento, segurança, recuperação de estradas, geração de empregos, etc. ... O estoque do endividamento público já está na casa de um trilhão de reais. Enquanto isso, já está sendo divulgado pelos que combatem as mentiras do governo, que "o aluno da educação básica vale 15 centavos, pois os R$ 1,3 bilhão que o presidente Lula se vangloria de destinar a educação básica, equivalem ao acréscimo de apenas 2,6% nos gastos atuais: em 2006, o governo investirá R$ 0,15 por aluno do ensino básico, por dia de aula."

Esta covardia com o povo tem como objetivo bancar o déficit público gerado pelo Estado perdulário, com sua monstruosa máquina corporativista e pela política monetária promovida pelo ex-presidente do Banco de Boston - que provoca um custo social criminoso para garantir que sejam realizados os sonhos de perpetuação no poder do PT, através da chantagem do superavit primário, que já não consegue pagar nem os juros da dívida pública - para comprar o apoio das elites dirigentes, diligentes aplicadores nos títulos do governo, e de seus cúmplices da prostituição política corrente que assola o país.

Esta patifaria econômica está sendo financiada com o trabalho, o sangue, o suor e as lágrimas do povo, com a plena cumplicidade de grandes e médios empresários - amantes "neoliberais" do Estado mínimo e do lucro máximo - que, enquanto reclamam do valor do dólar, pagam cada vez menos aos seus novos empregados, e se entopem de dinheiro com os resultados de suas exportações.

Todo o esforço da política fiscal imposta à sociedade está engordando a "poupança" dos ricos e financiado a demagogia populista de um governo que se propunha combater a herança maldita do FHC, mas que conseguiu, como sua maior realização, jogar na lata do lixo, junto com as folhas rasgadas da nossa Constituição - que deve servir de bloco de rascunho na mesa do apedeuta e que continua não sendo respeitada pelas elites dirigentes do país e seus cúmplices corporativistas dos poderes da República -, mais de vinte anos de luta do partido que o elegeu, com uma proposta de resgatar a justiça social e a dignidade para o povo brasileiro...

Se levarmos em consideração que 90% da população ganha, na média, menos que um salário mínimo, quais seriam os fatores responsáveis pelo "temor" do governo de que a inflação saia de controle? A demanda dos ricos ou a demanda dos pobres?

Obviamente, são os dois, mas com conotações sociais e pesos bastante diferentes. Enquanto os pobres lutam para poder garantir às suas famílias um mínimo de alimentação, bens de consumo duráveis fundamentais para suas residências, educação, habitação e saúde, os ricos - menos de 5% da sociedade - "perdem" noites de sono "preocupados" entre a decisão de consumir o luxo, inchar suas contas correntes nos paraísos fiscais, exibir a soberba de suas vidas, como aparecer na Revista Caras, como continuar aplicando suas fortunas nos títulos do governo, ou tentando administrar a divisão de suas "poupanças geradas pelo superavit primário", nas diversas opções de exploração da sociedade. Enquanto isso, a Loura faz a alegria dos baixinhos e o Rei, a alegria dos velhinhos, sob a batuta da Rede Globo de Televisão, sócia de carteirinha das elites dirigentes. Fala sério!

Esta é a cara do país que alguns canalhas sociais - competentes PHD´s da leviandade, da manipulação do povo, da mentira e da hipocrisia - que passaram pelos poderes da República, deixaram como "herança maldita" para o governo petista.

Mas, contrariamente à expectativa de mais de 52 milhões de eleitores, este governo traiu o povo brasileiro ao permitir que os produtos da covardia social dos seus antecessores não fossem devidamente combatidos mas, simplesmente, formalizados através do seu populismo inconseqüente e irresponsável, que mantém a desigualdade social no país com seus programas "bolsa-conformismo" e assemelhados, tendo como pano de fundo a compra das elites, com a exploração do povo por uma política fiscal escorchante, para pagar suas aplicações financeiras no governo, e com o enriquecimento da classe emergente social petista, que está agora faturando alto nas tetas da sociedade, se vingando de anos de batalhas nas calçadas nos portões das fábricas, onde seus milhares de militantes lutavam para construir um partido que cometeu o maior estelionato eleitoral da nossa história, pela palavra do seu candidato, que afirmou que iria resgatar, para o povo brasileiro, um país socialmente justo e digno: "pediu a Deus para tirar-lhe a vida caso repetisse os governos FHC."

"O governo do PT, que a todo custo tenta se manter no poder, deixará atrás de si um rastro de destruição econômica, social e moral, que talvez só possa ser resgatada, se o for, por gerações. Note-se, por exemplo, como sobre a égide do lulismo-petismo, o Legislativo se corrompeu ainda mais e o
Judiciário, através de sua instância mais alta, o Supremo Tribunal Federal (STF), se politizou e se pôs a serviço do Executivo e não da execução da Lei. Em suma, o governo do PT está fazendo do Brasil um país ainda menos civilizado e não passa de conversa mole essa de que nossas instituições estão sólidas, pois não contamos com partidos oposicionistas para valer, com legisladores sérios nem com aplicação justa das leis."(*)

Enquanto os comentaristas do Jornal Nacional repetem os recordes comerciais das nossas exportações, os ricos rolam de rir em seus "tapetes persas", pois é para eles que vai o grosso da renda do país, obtido com a oportuníssima demanda favorável do mundo sobre os produtos brasileiros, que são produzidos com uma mão de obra barata. O comércio internacional deve estar compensando o valor do dólar, contrariando as expectativas dos próprios empresários. Nesse mesmo tempo, os pobres e os menos favorecidos, incentivados pelo governo, tomam dinheiro emprestado pagando mais de 50% de juros ao ano, com uma inflação prevista em torno de 5%, para "aumentar o valor" do mísero salário que recebem, mesmo que tenham que comer menos depois para pagar os seus juros.

Para recuperar o país da bancarrota social, o próximo governo, que não seja do PT, terá que ter a coragem de impor um justo e necessário congelamento do pagamento da dívida interna e investir seu montante no desenvolvimento econômico-social do país, pagando os investidores em um período suficiente para resgatar a justiça social no país. Não existe outra saída. Tudo o mais é enrolação da academia, cúmplice consciente da exploração do povo para perpetuar a injustiça social no país e continuar fazendo o povo de palhaço das elites dirigentes.

Este é o preço que os ricos exploradores da sociedade terão que bancar por terem sido sócios-cúmplices do genocídio que vem sendo cometido, há décadas, contra os pobres e os menos favorecidos; a todos foi negado o direito à educação, ao saneamento básico, à segurança pública ou, simplesmente, ao direito de lutar com seus próprios meios e méritos por uma vida digna, sem a necessidade de caridades assistencialistas por parte de governos incompetentes ou corruptos, como única saída para poderem continuar vivendo.

O povo não quer viver somente das esmolas do Estado, mas sim ter condições de educação e progresso, para lutar por um emprego digno que lhes dê condições de sustentar suas famílias e proporcionar oportunidades de crescimento para seus filhos.

Está na hora de enterrar o superavit primário ao lado dos milhões de cidadãos comuns, que há décadas são assassinados pela covardia social. Enquanto as elites exibem e curtem sua soberba, o resto - o povo - tenta sobreviver nas ruas dos guetos e nos subempregos a que estão sendo confinados pelos seus exploradores, que curtem suas vidas em condomínios de luxo, cercados de seguranças, "apreciando" a pobreza das favelas e dos bairros-guetos que os cercam, fechando as janelas de suas luxuosas casas ou apartamentos para não ficarem observando o resultado dos seus crimes sociais, ou colocando bom-ar nos seus ambientes residenciais sofisticados, para não sentirem o cheiro da pobreza e da miséria que se alastra à sua volta e por todo o país...

( Geraldo Almendra - Biografia - 1951/**** )
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GERALDO ALMENDRA, nascido em 01 de Dezembro de 1951, Economista, ocupou cargos gerenciais e executivos em empresas privadas durante mais de 25 anos. Atualmente é Professor de Matemática e reside em PETRÓPOLIS-RJ.