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16/Ago/2005
!!! LIBERDADE PARA PENSAR E AGIR - Nº 18/2005 !!!

** O SONHO ACABOU (?) No Brasil, apenas mais um caso de Mortalidade Infantil... **

The dream is over (?)... Durante quase vinte anos, tentou-se acreditar que havia a possibilidade de se construir um país livre, não só no que diz respeito à liberdade de expressão, que conquistamos em parte, já que nem todos têm direito e acesso aos espaços e veículos de comunicação, mas livre também no que concerne ao fim da exploração patronal, ao fim da exploração governamental, ao fim das desigualdades cruéis que caracterizam toda a sociedade brasileira, ao fim do não reconhecimento de que um povo como o brasileiro, sofrido e cordial por natureza, deve ser digno de respeito, ao menos... Tentou-se acreditar que a desumanização que alimentava a máquina da Ditadura Militar cederia lugar a uma retomada da dignidade humana, da honestidade, da verdade, da fraternidade e da solidariedade.

Qual nada. Depois que os militares resolveram devolver (porque não houve uma retomada, mas uma devolução) o país ao seu povo, um país já apodrecido, com estruturas sociais enfraquecidas, uma economia doente e uma moral corrompida, senão inexistente, pensava-se que teríamos, não a chance, mas a "obrigação" de recuperar o atraso social e moral, a fim de fazer nascer das cinzas da hipocrisia uma verdadeira NAÇÃO LIVRE.

No entanto, a hipocrisia não estava em cinzas. Quem continuava queimando no fogo da ganância, da falsidade, do egoísmo, do capitalismo selvagem e neoliberal, e do poder, eram a dignidade e liberdade. O país que ressurgiu das sombras do militarismo não me parece tão melhor do que aquele dos anos setenta. Não temos porões, mas temos a violência da rua. Não temos mais medo do exército, mas temos medo dos criminosos e dos políticos... e de nós mesmos! Não temos mais obrigação de ficar calados, mas não sabemos o que dizer, porque temos preguiça de pensar, de refletir e de agir. Não temos repressão à educação, mas quem disse que temos hoje uma "educação legítima"(?), temos apenas um grande "mercado de venda de conteúdos" e uma escola pública falida em muitos aspectos. Não temos a censura organizada, mas temos a "burrice", a ignorância e a alienação cultuadas em escolas, nas rádios, nos canais de TV, nas famílias e nas igrejas. Não temos presidentes impostos e um parlamento vazio, mas temos um parlamento corrupto, sujo, apodrecido e presidentes corruptos, falsos e hipócritas. Temos "liberdade"(?), mas não sabemos o que fazer com ela, daí a vendemos...

Sim, o sonho acabou ! No Brasil, apenas mais um caso de "mortalidade infantil"... Porque no lugar de sermos pais responsáveis e ensinarmos à nossa recém-nascida filha, Democracia, as virtudes e os valores divinos e humanos, ensinamos a ela apenas os males do mundo e lhe dissemos: "Tudo tem seu preço, inclusive você, Democracia. Aprenda a não aceitar pouco, nada de centenas ou milhares, sempre exija milhões!!!" A Democracia, ainda criança pura e ingênua, não agüentou o fardo da hipocrisia dessa vida... e hoje a estamos enterrando no centro da Praça dos Três Poderes, para que aqueles que a venderam (o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e boa parte da nação) possam jogar a última mão de terra sobre o seu caixão, para depois escreverem em sua lápide: "Aqui plantamos o nosso presente ao povo brasileiro", e possam, assim, contemplar todos os dias de suas janelas a sua grande obra-prima.

Não só a Democracia foi sepultada, mas com ela os nossos sonhos, alimentados durante três eleições, marcadas pela derrota, e que enfim se realizaram: a vitória do sonho de um governo de esquerda, digno, justo, transparente e livre... Porém, esse governo e os que o circundam como abutres mostraram-se falsos canhotos, e o brilho da última estrela vermelha, solitária no céu do Brasil, desapareceu..., ofuscado que foi pelo negro lodo que brotou da revelação da Verdade.

O que fazer agora? Votar em quem? Acreditar em quem? Sonhar com o quê? Lutar pelo quê?
Porque os poucos que lutam pela justiça e pelo bem legítimos não têm voz, não têm espaço, não têm preço, não têm partido, não têm milhões e não têm "o poder". Estes poucos lutadores têm somente ESPÍRITOS LIVRES !!!

( Alessandro Eloy Braga -Biografia - 1973/*** )
Professor de Brasília - fale com o autor

ALESSANDRO ELOY BRAGA, 31 anos, mora em Brasília-DF, onde é Professor de Literatura na Faculdade Jesus Maria José (FAJESU) e Coordenador Central de Códigos e Linguagens na Secretaria de Estado de Educação. É Graduado em Letras e Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília. Já publicou o livro de poemas Madrigais Cantantes (2001), ensaios e resenhas em revistas acadêmicas do DF.