E OS FUNDAMENTOS PSICOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO
Cristiane Valéria Furtado do Nascimento
Márcia Andréa Soares de Moraes
Alunas do 2o período do curso de Pedagogia
das Faculdades Integradas Simonsen
Seu nome é João Pestalozzi, nasceu em Zurique, Suíça,
em 1746. Faleceu em 1827. Influenciou profundamente a educação; ele fez uma
grande adaptação na educação pública.
Leu o Emílio, de Rousseau, quando era estudante.
Ficou com o sentimento de que a educação podia elevar os homens.
Ninguém acreditou mais que Pestalozzi no poder da educação para
aperfeiçoar o indivíduo e a sociedade com o seu entusiasmo, influenciou reis
e governantes a pensarem na educação do povo.
Em 1782, expressou as usas idéias no seu primeiro livro: Leonardo
e Gertrudes; que retrata uma pobre e mesquinha aldeia suíça.
Gertrudes, moradora de uma aldeia, atua com os seus filhos e os
vizinhos nas artes domésticas, industriais, leitura, escrita, aritmética
e outros estudos. Importantes figuras da época leram Leonardo e Gertrudes,
mas não o consideraram como um tratado educacional.
Em 1792, Pestalozzi escreve o seu livro mais erudito: Minhas investigações
sobre o curso da Natureza no desenvolvimento da raça humana. A obra é recebida
sem entusiasmo. Pestalozzi decide ser mestre-escola. E parte para um trabalho
na sua escola. O lar era para ele a melhor instituição de educação, base
para a formação política, moral e religiosa. E a instituição educacional
deveria se aproximar de uma casa bem organizada.
Na instituição de Pestalozzi, que contava com meninos e jovens,
mestres e alunos permaneciam juntos o dia inteiro, dormindo em quartos comuns.
O dia escolar era intenso e variado: rezavam, tomavam banho e faziam o desjejum,
faziam as primeiras lições, havendo sempre um curto intervalo entre as mesmas.
Almoçavam, brincavam e recomeçavam as aulas. Das 8 às 17 horas, as atividades,
organizadas, eram desenvolvidas de maneira flexível. Duas tardes por semana
eram livres ou os alunos faziam excursões. A organização da escola era simples,
sendo que ficavam numa turma os que tinham menos de oito anos; e em outra,
a classe inferior, ficavam os meninos de oito a onze anos e na superior,
os de onze a dezoito anos.
Pestalozzi condenava a punição, as recompensas e punições. Problemas disciplinares eram discutidos, à noite.
Enquanto Pestalozzi introduzia tantas reformas educacionais, a
Igreja, que controlava todas as escolas na época, não se preocupava em melhorar
o seu padrão de qualidade. A situação que reinava era a seguinte: dava-se
à memória um enorme valor, os professores não possuíam habilitação, as classes
privilegiadas desprezavam o povo; os prédios escolares eram pouquíssimos.
A prática pedagógica de Pestalozzi sempre valorizou o ideal do
educador, isto é, a educação poderia mudar a terrível condição de vida do
povo.
A revolução suíça (1799) havia liberado a classe desprotegida
e, segundo Pestalozzi, somente a educação poderá contribuir para que o povo
conservasse os direitos conquistados.
Para Pestalozzi, o desenvolvimento é orgânico, sendo que a criança
se desenvolve por leis definidas; os poderes infantis brotam de dentro para
fora; os poderes inatos, uma vez despertados, lutam para se desenvolver até
a maturidade; a gradação deve ser respeitada; o método deve seguir a natureza;
o professor é comparado ao jardineiro que providencia as condições para a
planta crescer; a educação sensorial é fundamental e os sentidos devem estar
em contato direto com os objetos; a mente é ativa.
Frederick Eby resume com clareza os princípios educacionais de Pestalozzi, relacionados a seguir:
"1) Pestalozzi tinha uma fé indomável e contagiante na
educação com o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social. Seu
entusiasmo obrigou reis e governantes a se interessarem pela educação das
crianças dos casebres. Democratizou a educação, proclamando ser o direito
absoluto de toda criança ter plenamente desenvolvidos os poderes que Deus
lhe havia dado.
2) Psicologizou a educação. Quando não havia ciência psicológica
digna desse nome, e embora ele próprio tivesse apenas as mais vagas noções
sobre a natureza da mente humana, Pestalozzi viu claramente que uma teoria
e uma prática corretas de educação deviam ser baseadas numa tal ciência.
3) Foi o primeiro a tentar fundamentar a educação no desenvolvimento orgânico mais que a transmissão de idéias.
4) Pesquisou as leis fundamentais do desenvolvimento.
5) A educação começa com a percepção de objetos concretos,
o desempenho de ações concretas e experiência de respostas emocionais reais
(...).
6) O desenvolvimento é uma aquisição gradativa de poder.
Cada forma de instrução deve progredir de modo lento e gradativo.
7) A religião é mais profunda do que dogmas, ou credos, ou
a memorização do catecismo ou das Escrituras. Pestalozzi exigia que os sentimentos
religiosos fossem despertados antes que palavras ou símbolos viessem a ser
levados à criança.
8) Vários recursos metodológicos novos devem sua origem a
Pestalozzi. Empregava as letras do alfabeto presas a cartões e introduziu
lousas e lápis. A inovação mais importante foi a da instrução simultânea,
ou em classe. Isso não era novo, mas não havia sido posto em prática de um
modo generalizado.
9) Pestalozzi revolucionou a disciplina, baseando-a na boa vontade recíproca e na cooperação entre aluno e professor.
10) Deu novo impulso à formação de professores e ao estudo da educação como uma ciência".
Texto reproduzido com autorização das alunas
Cristiane Valéria Furtado do Nascimento e Márcia Andréa Soares de Moraes