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MOGI MIRIM - SP
"Nascida da Bravura dos Paulistas"
Aniversário - 22 de Outubro


SOBRE A CIDADE
Área da unidade territorial: 499 km2
Latitude do distrito sede do município: 22,43°
Longitude do distrito sede do município: 46,95°
Resultados do Universo do Censo 2000
Valor do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM)
R$ 5.290.070,62
População residente
Total: 81.467
Homens residentes: 40.706
Mulheres residentes: 40.761
População Urbana: 73099
População Rural: 8.368
População residente c/ Mais 10 Anos: 68.523
Taxa Alfabetização: 93,8%
Estabelecimentos de ensino fundamental: 25
Estabelecimentos de ensino médio: 10
Hospitais: 02
Agências bancárias:08
Fonte: IBGE
BREVE HISTÓRIA
Mogi Mirim foi fundada pelos
membros da Bandeira que por aqui passavam à caminho de pedras preciosas,
ouro e prata em Minas Gerais e Goiás. O nome Moji-Mirim significa
Pequeno Rio das Cobras e vem do tupí.
Dia 22 de Outubro é o aniversário
da cidade, e foi quando o arraial se tornou vila em 1769.
De fato, Mogi Mirim teve sua origem a partir de um pouso bandeirante
estabelecido pelos paulistas em sua arremetida às partes mais interiores
do Brasil, em busca de pedras preciosas, ouro e, especialmente, ir além
da linha demarcatória do meridiano estabelecido pelo Tratado de
Tordesilhas.
Assim, às bandeiras, "que se encaminhavam até os sertões
de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, deve Mogi Mirim a sua fundação.
Os exploradores, naturalmente atraídos pela beleza da posição
topográfica, salubridade do clima, fertilidade das matas, extensão
e excelência dos campos, estabelecerem-se nesta localidade com plantações
e criações de animais, formando assim um centro rural e
agrícola para abastecimento das bandeiras" (1).
Desconhecem-se a data de fundação e os nomes dos fundadores
de Mogi Mirim. É de se supor que as primeiras habitações
- pouco mais do que choupanas - tenham sido construídas ou nos
últimos anos do século XVII ou, o que é mais possível,
no início do século XVIII.
João Mendes Júnior preferiu situar entre 1719 e 1721 o
começo do núcleo do arraial de Mogi Mirim (nome que, na
língua Tupi, bastante usada pelos bandeirantes - assim como o português
- tem, como interpretação mais aceita, a de 'Pequeno Rio
das Cobras').
Alguns dos mais antigos habitantes de Mogi Mirim forma relacionados
por Mendes Júnior após pesquisa no século passado
e com referência ao século XVIII: Manoel Garcia Velho, Francisco
de Siqueira, Angelo Preto, Inácio Preto de Moraes, Salvador Jorge
de Moraes, Antonio de Araújo Ferraz, Francisco Bueno Pedroso Liberata
Leme da Silva, Vicente Adorno, Mateus de Cubas, Francisco Portes del-Rei,
José Barbosa Rego, Sebastião Leme do Prado, Francisco Xavier
Bezerra, Inácio Cardoso da Silva, Manoel Rodrigues de Araújo
Belém, Domingos Gomes de Oliveira, Geraldo Pires de Araújo,
José Grojão Cotrim (posteriormente, nos descendentes deste,
o sobrenome Grojão foi alterado para Gurjão), Melchior Pereira
de Campos, etc.
A Freguesia - O arraial de Mogi Mirim já possuía bom número
de habitantes quando, a 29 de julho de 1747 começaram a ser cavados
os primeiros alicerces daquela que seria a primitiva Igreja Matriz de
São José.
Era, portanto, a vida religiosa lançando as bases de sua organização
e atividades, bem antes do começo da autonomia municipal. A primeiro
de novembro de 1751, por provisão, o arraial de Mogi Mirim ficou
desmembrado da Freguesia da Conceição de Mogi do Campo (depois
denominada Mogi Guaçu). Mogi Mirim ficava sendo uma nova Freguesia
- isto é, Paróquia - tendo São José como seu
padroeiro.
Aos 27 de junho de 1769, o Capitão-General D. Luís Antonio
de Souza Botelho e Mourão (Morgado de Mateus), Governador da Capitania
de São Paulo, enviou Ofício ao Ouvidor Geral e Corregedor
da Comarca de São Paulo ordenando-lhe que "faça erigir
a dita Povoação de Mogi Guaçu em vila levantando-lhe
pelourinho e assinalando-lhe termo assinado pelos vereadores das Câmaras
circunvizinhas ..."
Mas como o Dr. Salvador Pereira da Silva, Ouvidor Geral e Corregedor
da Comarca de São Paulo, não deveria ser muito afoito, apenas
aos seis de outubro de 1769 chegou à Vila de Jundiaí para
efetuar correição e colocou os vereadores ao par das ordens
do Governador da Capitania de São Paulo, ou seja, elevar Mogi Guaçu
a Vila.
Já no dia seguinte, a Câmara Municipal de Jundiaí
mandou mensageiro a cavalo com Ofício para entregar no Palácio
do Governador da Capitania. O longo arrazoado do Ofício dos Vereadores
jundiaienses baseava-se em dois pontos principais: as condições
naturais desfavoráveis de Mogi Guaçu (lamaçais, proximidade
do rio que facilmente transbordava e febres) apontava as condições
favoráveis de Mogi Mirim.
Depois que recebeu o Ofício da Câmara de Jundiaí,
o Governador da Capitania de São Paulo enviou correspondência
para o Ouvidor Geral, em que ordenava a este mandasse "examinar qual
dos sobreditos dois Arraiais será mais próprio e conveniente
para nele se levantar Vila, e achando que o de Mogi Mirim prevalece nas
circunstâncias, que se requerem na forma da representação
da Câmara, de que remeto cópia: Vossa Mercê o eleja
e mande erigir em Vila na forma das antecedentes Ordens que lhe tenho
expedido".
E no mesmo dia 11 de outubro, o Governador da Capitania de São
Paulo mandou outro Ofício - este para os Juizes Ordinários
e Oficiais da Câmara da Vila de Jundiaí: "Louvo muito
a Vossas Mercês o zelo, com que me expõem as circunstâncias
que concorrem para haver de mudar a idéia, com que pretendia levantar
Vila no Arraial de Mogi Guaçu deixando este por menos idôneo
e elegendo o de Mogi Mirim, que o excede muito em todos os requisitos
..."
Finalmente se optou por elevar a Freguesia de São José
de Mogi Mirim a Vila. Assim, aos 22 de outubro de
1769, chegava a Mogi Mirim o "Juiz de Órfão
trienal da Vila de Jundiaí, Sargento-Mor Antonio Jorge de Godoi,
por ordem do Doutor Salvador Pereira da Silva, Ouvidor Geral e Corregedor
desta Comarca de São Paulo, para efeito de fundar e estabelecer
esta nova Vila ..." (3).
A Vila de São José de Mogi Mirim passava a abranger um
enorme território municipal, tendo por limites o Rio Atibaia e
o Rio Grande (este na divisa entre São Paulo e Minas Gerais). Com
o passar do tempo, foram se formando arraiais e povoados no então
muito extenso Município de Mogi Mirim, tais como Franca, Casa Branca,
Descalvado, Rio Claro, Mogi Guaçu, Itapira, São João
da Boa Vista, Serra Negra, Espírito Santo do Pinha, etc.
A Cidade - pela Lei nº17, de 3 de abril de 1849, o Presidente da
Província de São Paulo, Padre Vicente Pires da Mota, elevou
a Vila de Mogi Mirim à categoria de Cidade. A elevação
de uma Vila a Cidade era pouco mais que uma honraria, pois ela passava
a Ter dois Vereadores a mais que ao tempo de vida.
Mas sendo Cidade, por Lei Provincial de 17 de julho de 1852 Mogi Mirim
passou a ser sede de Comarca, ou seja, começaria a possuir Juiz
de Direito e Promotor embora continuasse a haver o Juiz Municipal (este
era cidadão eleito dentre a lista de candidatos propostos pela
Câmara Municipal).
No século passado, por três vezes Mogi Mirim recebeu a
visita do Imperador D. Pedro II: em 27 de agosto de 1875, para a inauguração
do trecho Campinas-Mogi Mirim, da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro;
uma outra visita a 14 de setembro de 1878 e, finalmente, outra em 26 de
outubro de 1886.
Em agosto de 1886, os fazendeiros de Mogi Mirim - tal como os de outras
cidades - começaram a angariar o trabalha de imigrantes estrangeiros,
os 'colonos', para suas lavouras de café e algodão. Chegaram
dezenas de famílias de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis
( a maioria para o trabalho na lavoura, uma menor parte o trabalho urbano)
e, posteriormente, sírios-libaneses e japoneses a partir do início
do século atual.
Juntamente com os mogimirianos e mogimirianas de estirpes mais antigas,
os imigrantes e seus descendentes nacionais têm concorrido expressivamente
para a vida comunitária local, especialmente nos setores agrícola,
comercial, industrial, social, político, cultural, profissional
liberal, associativo, e de prestação de serviços.
Sérgio Romanello Campos, advogado e historiador
Bibliografia
(1) Júnior, João Mendes. Revista Histórica do Município
de Mogi Mirim, Revista dos Tribunais, 1971.
(2) Prado, Washington. História de uma Cidade Bandeirante. Casa
Cardona, 1951.
(3) Temo da Fundação e Estabelecimento da Vila de São
José de Mogi Mirim, termo manuscrito, cópia de trecho do
original lavrado em 22 de outubro de 1769.
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